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xAI usa 59 turbinas a gás sem licença

Projeto Colossus 2 de Elon Musk opera mais do dobro das turbinas admitidas, sem licença federal de ar limpo, colado a comunidades já doentes e sobrepoluídas.

xAI usa 59 turbinas a gás sem licença

Enquanto Elon Musk vende a xAI como vanguarda da IA, o motor real da operação em Memphis é bem menos glamoroso: 59 turbinas a gás sem licença federal de ar limpo, o dobro do que a empresa tinha admitido em público. Os números constam de emails entre reguladores e consultores da própria xAI e da subsidiária MZX Tech, obtidos via pedidos de acesso a documentos públicos nos EUA.

O centro de dados Colossus 2, que alimenta o modelo Grok e o resto da infraestrutura da xAI, fica em Memphis, Tennessee. Mas pelo menos 57 das turbinas que o alimentam estão logo ao lado, em Southaven, no estado vizinho do Mississippi. Esta fronteira administrativa é tudo menos detalhe: quem vive do lado do Tennessee, onde 94% dos residentes num raio de 8 km são negros, não tem qualquer palavra formal no processo de licenciamento do outro lado da linha. É urbanismo de IA a usar linhas de mapa como escudo.

Mississippi chegou a emitir em março uma licença para 41 turbinas “permanentes” no local, após uma única audiência pública. Só que as 59 que agora se sabe estarem a funcionar são um conjunto à parte, temporário e sem qualquer licença federal. Em janeiro, a xAI dizia operar 27 turbinas não licenciadas e defendia que não precisava de licenças. A contabilidade real ser mais do dobro não é pormenor, é padrão: primeiro instala-se o hardware, depois discute-se se a lei se aplica.

Com base em perfis de emissões fornecidos pelos próprios consultores da xAI, a Reuters calculou que apenas 30 das unidades em Southaven poderão emitir perto de 2.500 toneladas curtas de óxidos de azoto por ano, mais 4.000 de monóxido de carbono e 22 de formaldeído, assumindo operação contínua a 80% de carga, o cenário “típico” descrito pela EPA. São estimativas de potencial de emissão, não medições reais de chaminé, mas mesmo assim colocariam a instalação entre as 25 maiores emissoras de óxidos de azoto de qualquer central a gás nos EUA. O limiar que obriga a licença federal é 100 toneladas por ano.

Agora cruza-se isto com o mapa social. Em DeSoto County, do lado do Mississippi, 46% dos residentes no raio das turbinas são negros, contra 33% no conjunto do condado. Do lado de Shelby County, Tennessee, a percentagem dispara para 94%, com taxas de asma e doença pulmonar obstrutiva crónica sistematicamente acima da média em 27 dos 28 bairros na área. Ambos os condados já falharam padrões federais de ozono. Quando se fala de “custo ambiental da IA”, estes são os custos reais, com nomes, moradas e diagnósticos, não números abstratos em relatórios de sustentabilidade.

Para quem acompanha o choque entre megacentros de dados e comunidades locais, o caso encaixa como mais um capítulo da guerra contra megacentros de dados de IA. Nova Iorque já travou novos projetos com moratórias formais, na Europa começam a surgir resistências em torno de água e energia, e gigantes como a Microsoft admitem que a IA está a disparar emissões em direção ao vermelho. A xAI segue a mesma lógica, só com menos filtro mediático: instala turbinas ao lado de bairros negros, empurra o assunto para o lado regulatório mais frágil e chama-lhe futuro da inteligência artificial. É o velho manual da indústria pesada, agora com branding de IA por cima.

Fonte: The Next Web

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