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Samsung Galaxy Z Fold 8: o dobrável que finalmente apetece usar

A oitava geração afina proporções, dobra melhor e pesa menos. Continua caríssima e a câmara não impressiona, mas é o primeiro Fold que parece mesmo pronto para o dia a dia.

Samsung Galaxy Z Fold 8: o dobrável que finalmente apetece usar

O Galaxy Z Fold 8 é o primeiro dobrável da Samsung que dá vontade de estar sempre aberto. Não é marketing, é geometria: ao ficar mais baixo e mais largo, o formato tablet deixa de parecer uma folha de Excel vertical e passa a ser um ecrã em que apetece ler, ver vídeos e trabalhar. A dobradiça, mais leve e bem calibrada, ajuda. Convida-te a abrir o telefone em vez de o manter fechado como um tijolo caro.

Nos EUA o preço começa nos $1.900, o que em Portugal vai traduzir-se facilmente em qualquer coisa na casa dos ~2.000€ quando (e se) chegar. Em troca tens Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, 12 GB ou 16 GB de RAM, até 1 TB de armazenamento e dois ecrãs Dynamic AMOLED 2x a 120 Hz: 5,5 polegadas fechado, 7,6 polegadas aberto. A bateria sobe para 4.800 mAh com carregamento a 45 W. No papel é um topo de gama óbvio, mas o que interessa aqui não são os números, é a forma como o conjunto muda a forma de usar o telefone.

Aberto, o Fold 8 é finalmente utilizável sem malabarismos. A relação de aspeto é menos estranha, as aplicações ocupam melhor o espaço e o vinco no meio do ecrã é dos mais discretos que vimos num dobrável. A nova camada anti-reflexo reduz o espelho permanente que ainda afeta muitos concorrentes. Fechado, o formato 5,5 polegadas lembra um compacto alto, não um comando remoto esticado como os Folds antigos. Ou seja, tanto dá para responder a mensagens no autocarro como para te afundares num artigo longo ou numa série no sofá. É isto que faltava à linha Fold para justificar existir, algo que já víamos noutros formatos como o Oppo Find N6.

Onde a Samsung continua a jogar à defesa é na câmara. O conjunto de 50 MP principal e 50 MP ultra grande-angular é competente, mas nada que assuste um S25 Ultra ou um Pixel 10 Pro. Em fotografia, o Fold 8 é claramente um topo de gama “normal” colado a um experimento de formato, não um camera phone de referência. O mesmo se pode dizer das funções Galaxy AI, que continuam a soar a demo de keynote: há truques úteis aqui e ali, mas nada que faça esquecer que estás a pagar preço de portátil por um telefone. Numa altura em que os dobráveis já cresceram 20% em 2026, como analisámos em mercado de dobráveis em alta, esta falta de ambição na câmara começa a ser difícil de engolir.

Depois há as omissões irritantes. Não há Qi2, o padrão de carregamento sem fios magnético que começa a aparecer em Androids concorrentes, e que faria todo o sentido num tijolo de vidro caro que vai estar constantemente em mesas e suportes. A concorrência interna também é bizarra: a própria Samsung apresenta o Galaxy Z Fold 8 Ultra como o verdadeiro sucessor do Fold 7 em formato e estilo, deixando o Fold 8 como um híbrido quase de nicho, apesar de ser precisamente o modelo que melhor resolve a utilização diária. Num mercado em que, como já escrevemos em dobráveis já não são novidade, a Samsung parece demasiado confortável em vender forma a preço de luxo sem fechar todas as pontas.

Mesmo assim, para quem vive entre produtividade, leitura e vídeo, o Galaxy Z Fold 8 é o primeiro Fold que faz sentido mais pelas horas de utilização do que pelo efeito “uau” quando o abres à frente de amigos. É um sinal de maturidade do formato, mesmo que venha embrulhado em decisões estranhas e num preço que continua a tratar o dobrável como brinquedo de early adopter. Se esta é a base, o verdadeiro teste vai ser o que fazem na próxima geração… e quanto tempo a Apple demora até obrigar a Samsung a deixar de tratar o Fold como fetiche caro.

Fonte: Android Police

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