O Fitbit Edge ainda nem chegou aos pulsos e já levanta sobrancelhas. Segundo o Android Police, a Google criou um relógio que tenta agradar a quem faz exercício e a quem quer um smartwatch barato, mas não acerta verdadeiramente em nenhum desses públicos.
O enquadramento é este: o Edge custa mais do que a banda Fitbit Air, oferece um conjunto de funcionalidades de fitness muito parecido e, ao mesmo tempo, fica bem atrás de um Pixel Watch 5 como relógio inteligente. Nas contas do Android Police, sempre que o Edge faz algo bem, há outro produto da própria Google que o faz melhor.
De um lado está a Fitbit Air, mais discreta e barata, que cobre o essencial do seguimento de atividade física. O jornalista do Android Police diz que a usa regularmente e que, para o objetivo simples de contar passos e monitorizar treino, chega e sobra. Para ver as horas, continua a olhar para o telemóvel ou para um relógio tradicional, o que dá uma pista importante: há muita gente que continua a não precisar de um ecrã no pulso para tudo.
Do outro lado está o Pixel Watch 5, mais caro, mas claramente mais completo. Tem Wear OS, suporte para um catálogo muito mais vasto de apps, melhor integração geral com o Android e um desenho que, na opinião de quem escreve para o Android Police, é também mais apelativo. O Edge posiciona-se algures no meio: ganha um ecrã relativamente grande face à Air, algumas aplicações básicas como Google Maps em versão reduzida, controlos multimédia e a função de Find My Phone. Mas continua dependente do telemóvel para quase tudo.
É aqui que a crítica fica mais dura. Os controlos de multimédia do Fitbit Edge, por exemplo, só funcionam com um dispositivo por perto, tipicamente o telemóvel. Para ouvir música durante o treino é preciso levar o telefone contigo na mesma. Se o telemóvel é obrigatório, pergunta o Android Police, por que não ficar antes com a Fitbit Air, que faz o seguimento de fitness de forma semelhante por uma fração do preço, ou então dar o salto direto para um Pixel Watch?
O Edge também não corre Wear OS, por isso não consegue instalar livremente apps de terceiros. Isto ajuda a manter o preço do hardware mais baixo, mas limita o relógio a um conjunto pequeno de aplicações feitas especificamente para ele. Curiosamente, quem testou o relógio para o Android Police até gosta da ideia de um smartwatch com um pacote fechado de apps bem integradas da Google, apontando exemplos como Mensagens, Maps, Wallet, Telefone, Calendar, Keep, Home, Gemini, Relógio, Meteorologia, YouTube Music, Contactos ou Recorder.
Daqui nasce a tese central do texto: o Fitbit Edge teria mais lógica se fosse assumidamente um “Pixel Watch A” básico, focado em apps ligeiras da Google, e com as funções de fitness reduzidas ao mínimo, talvez um simples contador de passos. Em troca, ganharia Wi-Fi, LTE e NFC para pagamentos, como se defende no Android Police, e posicionava-se como um verdadeiro smartwatch de entrada na família Pixel Watch, em vez de mais um wearable de fitness com pretensões a tudo.
Há outro ponto onde o Edge falha a meio caminho: a ausência de NFC e de algumas funções de segurança, que a própria Google já veio justificar e que deixam o relógio sem pagamentos no pulso. Numa faixa de preço que se aproxima de smartwatches completos de outras marcas, contar cêntimos na ficha técnica começa a parecer mais cortes do que estratégia.
No fundo, o artigo do Android Police toca numa questão que também pairou quando a Google confirmou o Fitbit Edge com estreia marcada a 12 de outubro: a segmentação começa a ficar confusa. Já se tinha notado quando se discutia se o Fitbit Edge vinha corrigir o que falhou na Fitbit Air. Com tantas variantes, corre-se o risco de canibalizar os próprios produtos e de deixar o consumidor sem resposta clara à pergunta simples: qual é o modelo para mim?
Por trás de tudo isto está uma visão particular sobre o papel dos relógios inteligentes. Quem assina o texto no Android Police defende que o smartwatch é um acessório, não um dispositivo principal. Deve tornar o telemóvel mais útil, não tentar substituí-lo. E nem tudo tem de medir batimentos, ciclos de sono e minutos em zona de cardio. Num mercado obcecado com métricas, a ousadia podia ser exatamente essa: assumir um relógio mais simples, menos ansioso com a nossa saúde, e mais preocupado em ser apenas um bom companheiro discreto do telemóvel.
Fonte: Android Police
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