Dobráveis já não são novidade, e isso abre espaço à Apple
Os dobráveis deixaram de ser circo tecnológico e passaram a ser produto adulto. É o ponto certo para a Apple entrar no jogo sem arriscar outro “Antennagate”.
Os dobráveis deixaram de ser circo tecnológico e passaram a ser produto adulto. É o ponto certo para a Apple entrar no jogo sem arriscar outro “Antennagate”.
Os dobráveis já passaram a fase do truque de feira. Hoje um Galaxy Flip ou Fold novo já não faz ninguém largar o café, mas funciona, dura e começa a ter preço menos absurdo. Para a Apple isto não é um problema, é a janela que estava à espera desde que apareceu o primeiro FlexPai meio desastroso.
Vale a pena recuar. O Royole FlexPai foi o primeiro telemóvel dobrável comercial e era tão frágil quanto parecia. Pouco depois o primeiro Galaxy Fold saiu com um ecrã que partia em dias, e a Samsung teve de aprender à pressa que não se deixa uma camada estrutural com ar de película para arrancar. A Huawei tentou contornar com um design em que o ecrã ficava por fora, solução que o mercado tratou de recusar. No meio disso, a Apple ficou quieta e a ver telemóveis de 2.000$ a falhar em público.
Sete anos depois, o cenário é outro. A Samsung já leva várias gerações, de Flip a Fold, a Google, OnePlus, Xiaomi, Honor e companhia alinharam, e os problemas básicos de durabilidade deixaram de ser manchete. Ainda há vincos visíveis e dobradiças com truques próprios, mas a conversa já não é “vai partir” e sim “quanto custa e que compromissos aceito”. Quando um Razr de entrada se vende a 799$ e a Samsung lança versões FE mais baratas da linha Flip, a tecnologia deixou de ser protótipo caro e passou a ser categoria.
É aqui que a Apple costuma entrar. A empresa raramente estreia formatos, espera que o sector faça o trabalho sujo, normaliza expectativas e depois empacota tudo num produto polido que parece inevitável. Se comparares com o que temos hoje em Android, um iPhone dobrável não teria de ser um salto técnico, teria de ser um salto em coesão: vincos menos óbvios, software que trate o abrir e fechar com a mesma naturalidade com que o iPad gere multitarefa, integrações com o resto do ecossistema Apple e pouco drama em garantia.
Para quem olha do lado de cá, em Portugal, onde um dobrável topo de gama continua a rondar os 1.800€ na Fnac ou na Worten, a questão já não é se a tecnologia funciona. É se faz sentido pagar esse prémio em vez de um topo de gama clássico. A resposta hoje ainda é discutível, como já escrevemos quando analisámos o Galaxy Z Fold 8 da Samsung. Mas um eventual “iPhone Fold” teria margem para redefinir o que é aceitável em peso, autonomia e preço nesta gama, precisamente porque chega quando o mercado estabilizou.
O risco para a Apple é mais prosaico: entrar quando os dobráveis já são aborrecidos pode significar estrear-se numa categoria que nunca passou de nicho caro. Mas esse sempre foi o jogo da marca, vender a versão acabada de uma ideia que outros gastaram anos a afinar. Se a geração atual de Flip, Fold e clones mostra algo, é que o formato deixou de ser tiro no escuro. Agora falta perceber se Cupertino consegue transformar um compromisso aceitável num novo objeto de desejo, ou se o telemóvel que dobra fica mesmo pelo caminho como curiosidade cara da era Android.
Fonte: The Verge
Comentários · 0