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Queres um computador novo em 2026? Prepara a carteira

RAM pela hora da morte e componentes em falta estão a empurrar Apple, Microsoft e Valve para preços que parecem de luxo. E isto não é um pico passageiro.

Queres um computador novo em 2026? Prepara a carteira

Quando até um MacBook “barato” começa a cheirar a produto de luxo, sabes que algo está fora de sítio. A crise global da RAM e de outros componentes está a rebentar com as fichas técnicas e com as tabelas de preços ao mesmo tempo. E as decisões que Apple, Microsoft e Valve anunciaram esta semana apontam para uma nova normalidade, não para um soluço de mercado.

Comecemos pela Valve. A Steam Machine, o PC de sala pensado como alternativa ao console de jogos, chega finalmente ao mercado com desempenho ao nível de uma PS5. O problema é o valor: começa nos $1.049, algo como ~960€, para a configuração base com 512GB e sem comando. Queres comando incluído, mais SSD e conforto mental para a próxima vaga de jogos pesados, ficas facilmente na casa dos 1.300€ a 1.350€. Ou seja, quase o dobro de uma consola de seis anos. Um engenheiro da Valve admitiu numa entrevista que, se pudesse mudar uma coisa, era “torná-la mais barata”. Não precisava de dizer, os números gritam por ele.

Na Microsoft a estratégia é diferente, mas a mensagem é parecida: o hardware não está a ficar caro só porque sim. A empresa lançou novos modelos Surface “mais acessíveis”, com um Surface Pro de 12 polegadas a $849 (~780€) e um Surface Laptop de 13 polegadas a $949 (~870€). O truque está na RAM: para baixar o preço, a base passa de 16GB para 8GB. Quem trabalha com muitas abas do browser, ferramentas de IA generativa ou IDEs pesados sabe que 8GB em 2026 é remendo, não é solução. É o tipo de corte que te obriga a subir um ou dois escalões de configuração para teres uma máquina decente, anulando a tal poupança.

Depois há a Apple, que já vinha a avisar que a memória ia doer na factura. Esta semana puxou mesmo dos números: aumentos generalizados em MacBooks, iPads e até em acessórios de casa como HomePod e Apple TV. O caso mais flagrante é o MacBook Neo, que tinha ganho fama de “negócio do século” a 599$. Agora começa em 699$, cerca de ~640€. Em percentagem, é um aumento gordo para o mesmo produto. A explicação oficial é simples, os custos dos componentes subiram. Mas o efeito prático é outro: a barreira de entrada ao hardware Apple volta a subir um degrau, sobretudo para estudantes e para quem queria um segundo portátil.

O que se sente nestes três casos é o mesmo padrão. Onde dá, as marcas sobem preços e mantêm a ficha técnica. Onde isso parece suicídio comercial, cortam RAM ou armazenamento para segurar um número de entrada menos assustador. A crise da RAM não é só um gráfico de DRAM e NAND a subir, é uma pressão constante para te enfiar num escalão acima, seja o Steam Machine com mais SSD, seja o Surface com mais RAM, seja o Mac com mais tudo porque os modelos base começam a parecer um compromisso demasiado grande.

Para quem está em Portugal, isto tem uma tradução muito concreta. Um portátil de trabalho “decente” que há dois anos rondava os 800€ anda agora mais perto dos 1.000€, sobretudo se quiseres 16GB de RAM e um SSD com folga. Mesmo marcas menos mediáticas que Apple ou Microsoft, como PCs de fabricantes orientados a programadores e criadores, já acusam a pressão nos preços, como se viu em lançamentos recentes de máquinas com RTX de gama alta e CPUs de última geração. A saída óbvia passa por duas vias pouco glamorosas: esperar mais tempo entre upgrades ou olhar de frente para o mercado de usado e recondicionado. Porque tratar o PC como um bem descartável de três em três anos está a ficar financeiramente fora de alcance para muita gente.

Fonte: The Verge

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