Novo Google Home Speaker com Gemini e subscrição mensal
O novo Google Home Speaker traz o Gemini para o centro da casa inteligente e tenta algo mais ambicioso: convencer-te a pagar uma mensalidade pelo assistente.
O novo Google Home Speaker traz o Gemini para o centro da casa inteligente e tenta algo mais ambicioso: convencer-te a pagar uma mensalidade pelo assistente.
O Google andava a adiar o lançamento de colunas inteligentes desde o Nest Audio de 2020. Agora volta ao jogo com o Google Home Speaker, um modelo de 99,99$ (~92€) construído de raiz para o Gemini, a IA generativa da casa. A promessa é simples: falar com a coluna como falas com alguém lá de casa, sem comandos robóticos nem frases decoradas.
Na prática, o novo Google Home aceita linguagem natural e pedidos encadeados. Em vez de comandos tipo manual de instruções, podes dizer coisas como “desliga todas as luzes menos a do candeeiro da mesa de cabeceira” ou “abaixa as luzes da cozinha, põe música calma e acerta um temporizador para 20 minutos”. Também aceita correções a meio da frase. Se dizes “desliga a máquina de café… quer dizer, liga-a”, o Gemini percebe o contexto. É o passo óbvio depois dos chatbots, mas aplicado ao espaço físico da casa.
O hardware em si é conservador. A coluna mantém o visual de tecido 3D e formato compacto, com um anel de luz na base que indica se está a ouvir, a pensar ou a responder. Nos EUA há cores Jade e Berry, no resto do mundo ficam-se por Hazel e Porcelain. Nada de extravagâncias, o truque está mesmo no software: há 10 novas vozes preparadas para conversas mais longas, e o modo “Continued Conversation” mantém o microfone ativo por uns segundos para não repetires o “OK, Google” em cada pergunta.
O problema é que, como quase tudo no Google em 2026, a melhor parte vem atrás de um paywall. A empresa estreia o Google Home Premium, uma subscrição de 10$ por mês (~9€) ou 100$ por ano (~92€), para desbloquear funções de IA mais avançadas. Aí entram as conversas mais livres com o Gemini Live (“Hey Google, let’s chat”), resumos do que se passou em casa enquanto estiveste fora e ajuda para interpretar atividade captada pelas câmaras Nest. O básico continua “grátis”, mas a fronteira entre básico e avançado é tudo menos inocente.
Esta estratégia encaixa na guerra atual dos assistentes, em que Google, OpenAI, Apple e companhia andam a empurrar a IA para todos os ecrãs e colunas ao alcance, de smartphones a smart speakers, com modelos de subscrição à mistura. O novo Google Home é a tentativa da empresa de transformar algo que antes era um comando de voz glorificado num serviço contínuo. A mensagem é clara: queres o assistente realmente esperto, pagas. E se compararmos com o rumo que a Apple está a traçar com o Apple Intelligence e a integração com os servidores da Google, percebe-se que ninguém quer ficar de fora desta nova camada de faturação mensal sobre a casa inteligente.
Para já, o Google Home Speaker está em pré-venda e começa a ser enviado ainda este mês, primeiro para os EUA, com lançamento global a seguir. Quando (e se) chegar a Portugal, vai competir numa casa inteligente que está a tentar organizar-se à volta de normas como o Matter, para não ficar prisioneira de um só fornecedor. Entre uma casa realmente interoperável e uma casa “Gemini Premium”, vai ser o utilizador a decidir até que ponto quer a sua sala de estar assinada por subscrição.
Fonte: TechCrunch
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