MediaTek Dimensity 9600 Pro aponta a 185 fps e IA em 2 nm
Novo topo de gama da MediaTek estreia o processo de 2 nm da TSMC, promete gaming a 185 fps e mais IA no telemóvel. Mas continua a jogar em campo dominado pela Qualcomm.
Novo topo de gama da MediaTek estreia o processo de 2 nm da TSMC, promete gaming a 185 fps e mais IA no telemóvel. Mas continua a jogar em campo dominado pela Qualcomm.
Gaming a 185 frames por segundo num telemóvel é um número pensado para chamar a atenção. É a bandeira que a MediaTek está a espetar com o novo Dimensity 9600 Pro, o primeiro chip da marca fabricado no processo de 2 nanómetros da TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company). A versão 9600M fica um degrau abaixo, mas com a mesma promessa de fluidez absurda em jogos e mais IA feita diretamente no dispositivo.
O salto para 2 nm é o detalhe sério no meio do ruído de marketing. Transístores mais pequenos significam chips mais densos, logo mais desempenho por watt. É a mesma geração de fabrico que vimos entrar no A20 Pro da Apple para os iPhone 18 Pro, e que vai marcar a próxima leva de topos de gama Android em 2027. Em teoria, isto traduz-se em menos aquecimento, mais autonomia e margem para puxar por jogos e modelos de IA mais pesados sem matar a bateria ao fim de meia hora.
A MediaTek fala em ganhos face ao Dimensity 9500 em três frentes: desempenho bruto, jogos e IA no dispositivo. Na prática, isto quer dizer loadings mais curtos, gráficos com mais efeitos ativos ao mesmo tempo e modelos generativos a correr localmente, desde assistentes de voz até edição de imagem e vídeo no próprio telemóvel. É a mesma tendência que vimos quando a Arm começou a puxar por DLSS em Android e por GPUs com IA nativa. O marketing muda, a direção é a mesma: pôr tudo o que é IA a correr perto de ti, não num data center algures.
A fasquia de 185 fps em “qualidade de consola” é mais complicada de engolir. Muitos ecrãs de gama alta ainda param nos 120 ou 144 Hz, e mesmo os painéis a 165 ou 180 Hz continuam raros. Em 2026 isto soa mais a bragging rights do que a um objetivo real em jogos pesados. Ainda por cima, o gargalo raramente é só o chip: é o arrefecimento, o consumo, as otimizações dos jogos, as políticas de energia das marcas. Se o 9600 Pro vai mesmo aguentar sessões longas de FPS competitivos sem thermal throttling, isso decide-se nas mãos da Asus, Xiaomi, Oppo e companhia, não na folha de especificações da MediaTek.
O 9600M fica como alternativa “democrática”, com menos margem de performance mas a mesma promessa de IA no dispositivo e gaming fluido. Aqui a jogada é clara: meter o logótipo Dimensity 9600 no maior número possível de modelos, de pseudo-topos a flagships mais contidos, para ganhar espaço a um adversário que continua dominante. A Qualcomm ainda dita as regras nos Samsung Galaxy S e Z vendidos em muitos mercados, e o próximo Snapdragon topo de gama será anunciado a 22 de setembro no Snapdragon Summit. A MediaTek está a adiantar o dossiê para não ser apenas nota de rodapé nesse anúncio.
Os primeiros telemóveis com Dimensity 9600 Pro e 9600M chegam “no final do ano”, sem datas concretas para Europa ou listas de marcas confirmadas. Historicamente, vemos estes chips em topos asiáticos como a linha Find da Oppo e em flagships que raramente desembarcam nas prateleiras da Worten ou da FNAC. O que está em jogo não é só quem ganha mais frames por segundo, é quem controla a próxima geração de IA móvel. A MediaTek traz finalmente processo de 2 nm para a luta, mas o duelo verdadeiro vai ser decidido na disponibilidade global e no calor que sentes nos dedos depois de meia hora a jogar.
Fonte: CNET
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