Arm leva DLSS ao Android e mexe com o gaming mobile em 2027
O novo Mali G2-Ultra NX estreia-se num Xiaomi dobrável na China e traz upscaling por IA, geração de frames e afins ao telemóvel. Europa fica à espera da vaga seguinte.
O novo Mali G2-Ultra NX estreia-se num Xiaomi dobrável na China e traz upscaling por IA, geração de frames e afins ao telemóvel. Europa fica à espera da vaga seguinte.
A Arm anda há cinco anos a preparar isto e não é um detalhe técnico: o novo GPU Arm Mali G2-Ultra NX, estreado hoje no Xiaomi 18 Fold na China, traz para o telemóvel aquilo que, no PC, conhecemos como a grande arma da Nvidia. Upscaling por IA, geração de frames, reconstrução de iluminação. Tudo pensado para fazer parecer que os jogos correm muito mais depressa sem gastar mais bateria.
A própria Arm não foge à comparação. Fala em “neural graphics” e em técnicas como “Neural Super Sampling” e “Neural Frame Rate Upscaling” que, na prática, soam muito a DLSS: renderizar o jogo a uma resolução mais baixa, inventar informação com redes neuronais e cuspir uma imagem mais limpa e fluida. Segundo a marca, com o pacote todo ligado é possível chegar a até quatro vezes mais fotogramas por segundo face ao modo tradicional. Tal como no DLSS 5 nas RTX 40 da Nvidia, o truque é mais ilusão bem feita do que força bruta.
No lado clássico, o Mali G2-Ultra NX também promete músculo: até 85% mais desempenho do que o GPU usado pela Xiaomi antes e mais 14% do que o anterior topo de gama da própria Arm em “gaming não IA”. Mas o interesse aqui não é tanto ganhar uns pontos no benchmark, é a tal camada de aceleração por IA embebida nos shaders. Nas palavras de Chris Bergey, EVP de Edge AI da Arm, isto é “trazer capacidades tipo Tensor para o shader do GPU”. Em linguagem menos de marketing, significa pôr unidades especializadas de cálculo de IA mesmo onde o jogo desenha cada pixel.
Para já, quem quiser experimentar em primeiro lugar tem de olhar para a China, onde o Xiaomi 18 Fold com chip Xring O3 arranca a corrida. Mas a Arm já deixou escapar que isto não vai ficar preso a um dobrável exótico. Bergey diz que o Mali G2-Ultra NX chega a mais telemóveis no próximo ano e sugere até que alguns dos futuros Googlebooks, os portáteis Android da Google, podem vir com esta gráfica. Ou seja, há boas hipóteses de vermos tablets e Chromebooks com Android a usar as mesmas manobras de IA que hoje associamos a PCs gaming caros.
A parte menos glamorosa é a dependência de suporte de software. Cada jogo terá de ser adaptado para tirar partido das novas instruções e, como sempre, a primeira vaga deve focar-se nos títulos grandes que justificam o esforço. Além disso, os tais “até 4x” de frame rate não significam que o jogo se torne magicamente quatro vezes mais responsivo. Tal como no PC, a latência de entrada, a física e a lógica do jogo continuam a correr no ritmo real, os frames extra são “enchimento” visual. Faz diferença, sobretudo em ecrãs de 120 Hz ou 144 Hz, mas não transforma um shooter competitivo num milagre portátil.
Para quem joga em Android, esta aproximação ao que a Nvidia faz no PC é bem-vinda, até porque o hardware de topo da Qualcomm e da MediaTek anda há anos a prometer mais gráficos sem resolver o básico: demasiados jogos continuam cheios de arestas serrilhadas e quedas agressivas de desempenho. A Arm está a tentar mudar o jogo sem aumentar o consumo, o que interessa tanto a um dobrável premium como a um portátil leve. Falta agora ver se fabricantes, estúdios e Google empurram todos na mesma direcção, ou se o Mali G2-Ultra NX fica só como a nota de rodapé técnica num telemóvel que quase ninguém em Portugal vai comprar.
Fonte: The Verge
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