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Honor Magic 9 Pro Max traz cores ARRI ao vídeo de bolso

A Honor juntou-se à ARRI para pôr no Magic 9 Pro Max os mesmos perfis de cor usados em câmaras de cinema de dezenas de milhares de dólares. É marketing, mas também é um sinal de onde o vídeo móvel quer chegar.

Honor Magic 9 Pro Max traz cores ARRI ao vídeo de bolso
Ilustração digital | Pixel Magazine

Quando uma marca de telemóveis chinesa consegue pôr o nome ARRI no modo de câmara, sabe-se o alvo: quem sonha filmar “à cinema” mas não tem $80.000 para uma Alexa. O novo Honor Magic 9 Pro Max foi anunciado hoje com um modo ARRI Cinema que leva para o bolso os perfis de cor que os diretores de fotografia usam em longa-metragem.

Segundo o CNET, a Honor mostrou o telemóvel em Los Angeles, no Griffith Observatory, com um exemplo que diz tudo sobre a ambição: um simples plano em direção ao letreiro de Hollywood gravado em modo normal e em modo ARRI. No segundo, o vídeo ganha grão, tons de pele mais suaves e um céu esverdeado em estilo “Velho Hollywood”, como se tivesse sido filmado nos anos 60. Não é um filtro do TikTok, é o ARRI Nostalgia, um dos looks oficiais da marca alemã.

ARRI é a empresa por trás de câmaras usadas em filmes tão diferentes como Everything Everywhere All at Once ou o clássico Dark Passage, com Humphrey Bogart. As câmaras digitais da marca custam facilmente entre $65.000 e 95.000$, e são pensadas para rodagem profissional, não para férias em família. Em vez de tentar fazer uma câmara mais barata, a ARRI licenciou a sua ciência de cor para a Honor, que a embutiu na app de câmara do Magic 9 Pro Max num modo dedicado ARRI Cinema.

Esse modo usa os sensores principal e telefoto, ambos de 200 megapíxeis, e grava em proporção 2,39:1, próxima do formato em que se vê cinema na sala. O detalhe técnico interessante está debaixo do capô: acesso à Look Library da ARRI, com vários perfis de imagem pré-definidos, e suporte para ficheiros LUT. Há LUTs pré-carregadas e outras que podem ser instaladas a partir dos sites da Honor e da ARRI. Para quem gosta de correção de cor séria, isto aproxima mais o telemóvel do workflow de pós-produção de cinema do que dos filtros instantâneos de Instagram.

Na prática, estes Looks e LUTs permitem gravar já com um “ar de cinema”, incluindo definições que tentam aproximar a imagem da de uma câmara ARRI Alexa. Quem testou o Honor para o CNET descreve diferenças visíveis logo no ecrã: contraste mais contido, cores menos saturadas mas mais “trabalháveis”, e aquele grão controlado que lembra película. É aí que se percebe a jogada da Honor, num mercado em que qualquer topo de gama já grava 4K limpo: vender estética e assinatura, não só resolução.

Em termos de design, o Magic 9 Pro Max não esconde de onde tira inspiração. O corpo em metal com traseira em vidro de dois tons faz lembrar um iPhone 18 Pro Max, com a unidade de câmara a dominar a parte de trás. A cor de destaque é um verde musgo relativamente discreto, mas há também versões em preto e prata. Nada de extravagâncias dobráveis aqui, é um tijolo clássico de grande ecrã a tentar parecer mais câmara do que telefone.

Para quem já se entreteve a espremer mais das câmaras com apps como a Open Camera, esta aposta da Honor vai um passo além: em vez de só dar controlos manuais e um histograma, importa uma estética com pedigree histórico. A questão é que os sensores pequenos e a compressão de vídeo de um telemóvel continuam lá. Os Looks da ARRI ajudam a esconder limitações, não a abolir a física.

Há ainda muitos pontos em aberto para quem lê na Europa. A Honor falou primeiro para o mercado chinês, sem confirmar datas ou preços para a Europa. E mesmo que o Magic 9 Pro Max chegue a Portugal, resta saber se a parceria com a ARRI se mantém intacta em todas as regiões, ou se fica diluída em licenças parciais e modos exclusivos em certos mercados.

O resultado é um telemóvel que, em papel, parece feito à medida de criadores de vídeo que vivem entre o TikTok e o set indie. Mas a barreira para usar bem LUTs e perfis de cor continua a ser o conhecimento, não o hardware. O Magic 9 Pro Max aproxima a linguagem visual do cinema de quem grava com o telemóvel, mas não substitui luz, som e montagem. Dá ferramentas sérias, falta saber quantos vão usá-las para lá do primeiro vídeo com “look ARRI” para mostrar aos amigos.

Fonte: CNET

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