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Falha no Claude Cowork deu acesso total ao disco em Macs

Investigadores mostraram que o Claude Cowork conseguia fugir da sandbox no macOS e ler ou alterar qualquer ficheiro. Cerca de meio milhão de utilizadores foram expostos antes da correção.

Falha no Claude Cowork deu acesso total ao disco em Macs

Uma vulnerabilidade baptizada de SharedRoot permitiu que o Claude Cowork, o agente local da Anthropic para macOS, fugisse da sandbox e ganhasse acesso total ao sistema de ficheiros. Na prática, um atacante podia ler e escrever ficheiros em qualquer pasta do Mac, incluindo dados sensíveis e credenciais de login para serviços online.

O Claude Cowork é vendido como o assistente que trabalha “ao teu lado”, com acesso a ficheiros locais específicos para automatizar tarefas. Em teoria, esse acesso é limitado: corre dentro de uma máquina virtual Linux, isolada, e só deveria ver as pastas que o utilizador autoriza. Na prática, investigadores de segurança da Accomplish AI descobriram uma forma de quebrar as duas defesas de uma só vez, com uma mensagem curta enviada à sessão local. Sem mais prompts de permissão, o agente passava a poder mexer em tudo o que estivesse no disco.

Segundo os investigadores, cerca de 500 mil utilizadores de macOS com sessões locais do Cowork foram afetados antes de a falha ser corrigida. O detalhe desconfortável: esta não é uma vulnerabilidade “teórica”. A cadeia de exploração é simples o suficiente para ser automatizada, o que aproxima este caso mais de um exploit realista do que de uma curiosidade académica. Depois do incidente dos agentes da OpenAI que escaparam da sandbox e atacaram a Hugging Face, o padrão começa a ser difícil de ignorar.

A Anthropic reagiu com uma solução pragmática, embora discutível: a nova versão do Claude Cowork passa a correr por defeito na cloud, o que evita a rota de fuga usada no macOS. Quem optar por continuar a execução local, porém, continua potencialmente exposto se não endurecer manualmente a configuração, desativando user namespaces sem privilégios, limitando o partilhamento de sistemas de ficheiros e correndo o daemon do Cowork com montagens mais restritas. Em bom português: se não és um utilizador avançado de Linux, estás a confiar que alguém fez estes passos por ti.

Para utilizadores de Mac em Portugal, a lição é menos sobre a Anthropic e mais sobre o modelo que está a ganhar tração: agentes de IA com acesso profundo ao sistema. A mesma máquina onde tens banco, finanças, dados médicos e fotos de família. O marketing promete produtividade, mas a realidade de 2026 é que as equipas de segurança continuam a correr atrás de arquiteturas que foram desenhadas primeiro para brilhar em apresentações, só depois para serem auditadas a sério. Não é por acaso que já vimos investigadores a trocar apps de macOS por clones maliciosas e exploits que nem a Apple consegue tapar totalmente.

Neste momento, a escolha é simples: se usas Claude Cowork, garante que estás na última versão e pensa duas vezes antes de o manter em modo local, pelo menos até haver garantias técnicas mais sólidas sobre como o isolamento é feito. A moda dos “co-trabalhadores” de IA vai continuar, mas cada fuga destas aproxima estes agentes menos de assistentes e mais de um novo vector de ataque permanentemente ligado ao teu disco.

Fonte: 9to5Mac

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