Há mais de uma década que o Blue Yeti é a resposta automática quando alguém pergunta que microfone USB comprar para começar um podcast. Agora, finalmente, há um sucessor. O Blue Yeti 2 chega hoje com a chancela Logitech G, traz IA para limpar o som, um sensor de proximidade para seguir a tua voz e um ecrã LED que transforma o velho cilindro metálico num comando de nave espacial.
Segundo o The Verge, o novo Yeti 2 vai custar $159,99, cerca de 150€ antes de impostos e margens europeias, disponível em preto ou branco. Fica bem abaixo da série MV7 da Shure, que começa nos $299, e só cerca de 10 dólares acima do preço de lançamento do Yeti original em 2009, como se lê no anúncio histórico da Blue em 2009. Tendo em conta a inflação e a quantidade de extras que aparecem agora, a jogada da Logitech é claramente de volume: vender a quem ainda está no USB e não quer tocar em mesas de mistura nem em XLR.
O truque principal está no tal sensor de proximidade, que segue a tua voz em 3D e ajusta automaticamente ganho, equalização e padrão de captação. Em teoria, podes andar à volta da secretária ou afastar-te um pouco do micro sem destruir a gravação. Para quem nunca mexeu em áudio, isto resolve metade do problema. A outra metade é educar as pessoas para falarem para a frente do micro e não para o topo, um erro comum no Yeti original que até virou caso de estudo de design. Aqui, a combinação entre sensor e feedback visual no ecrã LED deve reduzir bastante essa confusão.
Em termos técnicos, o Blue Yeti 2 grava até 24-bit / 48 kHz, o que é mais do que suficiente para tudo o que seja conteúdo online. Há DSP (digital signal processing) integrado para clarificar a voz sem plugins extra, e a IA de redução de ruído tenta limpar o fundo sem matar completamente o ambiente. A aposta no processamento a bordo é a mesma linha que se tem visto noutros gadgets de áudio recentes, dos microfones a portáteis com chips dedicados, e encaixa bem num mercado em que boa parte dos criadores grava em quartos pouco tratados e com ventoinhas a zumbir.
A decisão da Logitech de enterrar a marca Blue em 2023 e empurrar tudo para a sub-marca gaming Logitech G parecia, na altura, mais limpeza de catálogo do que outra coisa. Agora percebe-se melhor a agenda: chamar-lhe “Logitech G Blue Yeti 2” é um malabarismo de naming que tenta segurar a nostalgia do nome Yeti ao mesmo tempo que alinha a linha de produto com o resto do portfólio de streaming da marca. A aparência continua familiar, quase um tributo ao original de 2009, mas com o tal ecrã LED, um pequeno mascote Yeti e um ar mais de gadget contemporâneo do que de peça de estúdio improvisada.
Falta ver como é que este equilíbrio entre automatização e controlo manual resulta fora da ficha técnica. A proximidade dinâmica e o DSP são óptimos até ao momento em que começam a “bombar” o áudio de forma imprevisível. Se a Logitech tiver afinado bem os limites, o Blue Yeti 2 pode voltar a ser a recomendação preguiçosa mas segura para quem quer um micro USB e não quer pensar muito. Se não, abre espaço para concorrentes a oferecer menos magia negra e mais previsibilidade, mesmo que à custa de leres o manual e aprenderes o que é ganho.
Fonte: The Verge
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