A Qualcomm quer que o próximo salto dos auscultadores e óculos de áudio venha do chip. A empresa anunciou hoje o Snapdragon Sound Elite Gen 2, um novo processador pensado para wearables de áudio com IA integrada. De acordo com o Engadget, o foco está em tirar o máximo partido de assistentes de voz, tradução em tempo real e melhoria inteligente do som, sem depender tanto da cloud.
O chip é apontado a auscultadores, earbuds, óculos de áudio e até earbuds com câmara, uma categoria onde a Qualcomm não esconde o olho nos AirPods com câmara que a Apple estará a preparar. A empresa afirma que o Snapdragon Sound Elite Gen 2 tem o dobro da capacidade de IA face ao Snapdragon S7 Gen 1 Sound Platform. Traduzido: mais poder de cálculo local para correr modelos de IA diretamente no dispositivo, em vez de empurrar tudo para o telemóvel ou para servidores remotos.
Nas declarações citadas pelo Engadget, Ziad Asghar, vice-presidente sénior da Qualcomm para XR, wearables e IA pessoal, diz que a interação com IA vai deixar de passar sempre por um ecrã. A aposta é em conversas naturais, em que se fala para o dispositivo e se recebe ajuda em tempo real. É aqui que entram promessas como tradução instantânea em modo offline ou quase offline, ou a capacidade de amplificar vozes e certos sons para quem tem perda auditiva. Isto não substitui aparelhos médicos, mas aproxima os auscultadores de consumo de um território sensível: o da saúde.
Do lado do áudio, o chip traz suporte para aptX Lossless, a tecnologia da Qualcomm que tenta aproximar o áudio sem fios da qualidade de um cabo, e para o XPAN, o sistema que combina Wi-Fi e Bluetooth para estender o alcance dos dispositivos. A presença de Wi‑Fi 6E é outro pormenor estratégico: a empresa vende a ideia de uma IA “sempre disponível” sem sacrificar bateria nem qualidade de som. É otimista, sobretudo se pensarmos em earbuds minúsculos, mas mostra onde a Qualcomm quer posicionar-se quando os fabricantes de auscultadores começarem a colar “IA” em todas as caixas.
Para quem desenha produtos como auscultadores focados em qualidade, como o recente Motorola Signature 27 com selo Bang & Olufsen, um chip destes é uma forma rápida de marcar a caixa da IA sem reinventar o hardware de raiz. A questão é quanta liberdade real os fabricantes terão para diferenciar experiências se o cérebro for praticamente o mesmo para todos. Quando a mesma plataforma alimenta óculos de áudio, earbuds com câmara ao estilo Ray‑Ban Meta e futuros AirPods com truques inteligentes, o risco é o mercado encher-se de clones com logótipo diferente.
Por agora, a Qualcomm fala em capacidades e tecnologias, não em produtos concretos. O timing encaixa na corrida para encher o ouvido de sensores e modelos de IA que “ouvem” e respondem antes de se tirar o telemóvel do bolso. Se a promessa de IA no dispositivo se aguentar fora do slide de apresentação, os próximos lançamentos de auscultadores e óculos de áudio podem tornar-se menos uma disputa de som e mais uma guerra de chips.
Fonte: Engadget
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