A Nothing anda ligada ao áudio este ano e decidiu fechar o triângulo com algo mais ambicioso. Depois dos Headphone A de ~185€ e dos Ear 3A abaixo dos 100$, chega agora o Headphone 1 Pro, um par de auscultadores over-ear de $399 (cerca de 370€) que o The Verge descreve como o novo topo de gama da marca. Cancelamento de ruído ativo, vários perfis de som, controlos físicos bem pensados e uma construção de três drivers por lado são o pacote base. O extra está num pequeno interruptor escondido na concha esquerda: o modo Flat EQ.
Segundo o The Verge, esse interruptor desliga por completo o equalizador e o áudio espacial da app Nothing X. A ideia é simples, pelo menos em teoria: dar a quem trabalha em estúdio uma resposta o mais neutra possível, sem a “assinatura” dos auscultadores. A Nothing desenvolveu este modo em parceria com os Metropolis Studios, casa de masterização em Londres por onde passou, por exemplo, a produção de Mark Ronson para Amy Winehouse. Em marketing isto soa bem, mas o interesse real está em como o som muda quando o interruptor entra em ação.
Nos testes descritos pelo jornalista, o perfil Balanced de origem puxa claramente pelos médios e agudos. Vozes avançadas, pratos a soar mais vivos, aquele brilho que impressiona numa escuta rápida mas pode cansar. Com o Flat EQ ligado, tudo se alinha mais com os graves, nada se destaca demasiado e a música perde alguma daquela “areia” no topo. O detalhe curioso é que, para escuta do dia a dia, quem escreveu preferiu usar o equalizador paramétrico avançado na app em vez do modo Flat. Ou seja, a função estrela fica mais como ferramenta de nicho do que como default para quem só quer ouvir música no metro.
Há também o lado ergonómico. O The Verge sublinha que o pequeno interruptor está bem escondido num canto interior da concha esquerda, longe de botões principais, para evitar toques acidentais. E elogia outra escolha rara em 2026: botões tácteis clássicos no lugar de superfícies capacitivas temperamentais. Tendo em conta a quantidade de toques fantasmas em auscultadores concorrentes, esta opção parece menos retro e mais bom senso. Em termos de funcionalidades, os Headphone 1 Pro ainda trazem suporte para Auracast, algo que começa a aparecer nos modelos mais caros, e um desenho acústico de três drivers que os afasta da receita habitual de um único transdutor dinâmico.
O que estes Nothing acabam por expor é o choque entre teoria e prática no áudio de consumo. A discussão à volta de curvas “neutras” já leva anos e, como lembra o artigo citando investigação da Harman, a maioria das pessoas prefere uma assinatura com graves reforçados, médios relativamente neutros para vozes naturais e agudos ligeiramente elevados. É a famosa Harman Curve que domina o design de muitos auscultadores modernos, incluindo concorrentes que também jogam na gama premium como os Beats e várias propostas com selo de marcas hi-fi. Os Nothing Headphone 1 Pro tentam estar dos dois lados: agradar ao ouvido comum e, com um clique, dar algo mais próximo da régua de estúdio.
No fim, o interruptor Flat EQ é menos milagre de estúdio e mais argumento de diferenciação num mercado onde toda a gente promete “som de referência”. Para quem trabalha mesmo em mistura e masterização, há ferramentas dedicadas e monitores de estúdio que continuam a mandar. Para quem só quer boa música e cancelamento de ruído no dia a dia, o que vai pesar é o preço, o conforto, a eficácia do ANC e a forma como estes Nothing soam nos perfis mais coloridos. Se a marca acertar nesses detalhes, o botão milagroso pode até ficar esquecido, mas os Headphone 1 Pro cumprem o essencial: metem a Nothing a falar a sério na liga alta dos auscultadores over-ear.
Fonte: The Verge
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