GADGETS

Amazfit aproveita nova abertura da Apple e aproxima-se do iPhone

Graças às regras da União Europeia e a uma opção discreta no iOS, vários relógios Amazfit passam finalmente a responder mensagens e a interagir a sério com o iPhone.

Amazfit aproveita nova abertura da Apple e aproxima-se do iPhone

Não foi por boa vontade da Apple que isto aconteceu. Foram precisas pressões de Bruxelas para que o iPhone deixasse de tratar quase tudo o que não é Apple Watch como cidadão de segunda. Resultado prático: a Amazfit é uma das primeiras marcas a agarrar a nova abertura do iOS e a aproximar-se, pela primeira vez a sério, da experiência de um Apple Watch num iPhone.

Com o iOS 26,5, na União Europeia, surgiu nas definições do iPhone uma opção chamada Notification Forwarding. Em vez de limitar o acesso às notificações e às respostas rápidas ao Apple Watch, o sistema passa a permitir que um smartwatch de outra marca tenha acesso total às notificações push. Isto não é só ver avisos no pulso. É poder responder, marcar como lido, iniciar uma chamada ou até ver imagens que chegam numa notificação. No fundo, é aquilo que a Apple sempre reservou para si, agora aberto porque a regulação assim o exige.

A Amazfit não perdeu tempo. Os modelos Cheetah 2 Ultra, Balance 3 e Balance Ultra já suportam o novo esquema. Quem tiver um destes relógios e um iPhone na UE pode ativar a integração na app Zepp e passar a responder mensagens directamente no relógio, incluindo em apps como WhatsApp ou Telegram. Nos EUA, o Cheetah 2 Ultra anda pelos $599, algo como ~550€, o que o coloca em território de Apple Watch topo de gama, mas com a vantagem habitual da Amazfit em autonomia e foco no desporto de resistência.

A lista não fica por aqui. A marca promete a mesma actualização “em breve” para os Bip Max, Active 3 Premium, Cheetah 2 Pro, T-Rex 3, T-Rex 3 Pro, T-Rex Ultra 2 e Balance 2. A funcionalidade vem em três camadas: primeiro, respostas directas a mensagens a partir do relógio, depois interacção com notificações (marcar como lido, devolver chamada) e, por fim, suporte para media nas notificações, como a foto de uma câmara à porta de casa quando alguém toca à campainha. Tudo isto ainda em beta, por isso quem viver na linha da frente que conte com bugs.

Para quem usa iPhone em Portugal e sempre gostou da relação qualidade/preço dos Amazfit, isto muda o jogo no segmento médio. Deixa de ser obrigatório entrar no ecossistema fechado da Apple só para responder a mensagens no pulso. Claro que continua a haver limites, o controlo base continua a ser da Apple, e a funcionalidade está restrita à UE, precisamente onde o regulador tem apertado com a empresa, como se viu noutras frentes de iOS e da App Store. Mas a barreira psicológica “iPhone implica Apple Watch” começa finalmente a rachar.

A ironia é que esta abertura, forçada, pode acabar por dar alguma margem a marcas como a Amazfit para pressionar o preço e o posicionamento do Apple Watch em mercados como o nosso. Se um relógio de 200 ou 300€ já faz 80% do que interessa num iPhone, a diferença para um Apple Watch passa a ser menos técnica e mais de estatuto. Bruxelas quis mais concorrência, a Amazfit está a agradecer. Quem ganha é o pulso de quem usa iPhone na Europa.

Fonte: Notebook Check

Comentários · 0