Agility abre quartel de treino de humanoides à porta da Tesla
A Agility Robotics instala um centro de treino de 60 mil pés quadrados ao lado da fábrica da Tesla. Tem menos dinheiro, mas tem algo que a Tesla ainda não tem: robots a trabalhar.
A Agility Robotics instala um centro de treino de 60 mil pés quadrados ao lado da fábrica da Tesla. Tem menos dinheiro, mas tem algo que a Tesla ainda não tem: robots a trabalhar.
A Agility Robotics decidiu treinar os seus humanoides praticamente ao lado da Tesla. Abre um centro de 60 mil pés quadrados em Fremont, Califórnia, a poucos quilómetros da fábrica onde Elon Musk quer começar a montar os robots Optimus ainda este ano. Se isto parece provocação, é porque é mesmo um statement: a Tesla vende promessas, a Agility mostra faturas.
Elon Musk tem repetido que o Optimus será “o maior produto de sempre” da Tesla, quando for “útil fora da Tesla algures no próximo ano”. A Agility não tem esse marketing nem o capital de uma empresa cotada em bolsa há anos, mas tem o Digit, um humanoide de dois metros que já anda a carregar caixas em armazéns e fábricas. Amazon, GXO, Schaeffler ou a Toyota do Canadá já o usam, e a empresa diz ter 300 milhões de dólares em encomendas contratadas. Em vez de vídeos coreografados, há robots a mover 100 mil caixas num centro logístico.
A CEO Peggy Johnson quase agradece ter a Tesla como vizinha. Durante anos a Agility esteve praticamente sozinha no segmento de humanoides comerciais, agora há uma corrida que inclui Figure, 1X, The Bot Company ou Sunday Robotics. A diferença é que a Agility já passou pela parte chata: certificações, segurança, integração com infraestruturas de TI e sistemas de gestão de armazém. Enquanto muitos rivais ainda vivem de demos em palco, a Digit já lida com os requisitos de quem não pode parar uma linha de montagem por causa de um bug.
Na autonomia, a empresa recusa o entusiasmo ingénuo pela IA generativa a controlar tudo. O cofundador Damion Shelton resume bem a questão: ninguém quer o controlador de travões de um carro autónomo sob comando de um modelo generativo. O mesmo vale para um humanoide de 100 kg a circular perto de pessoas. A Agility usa IA onde faz sentido, para escalar comportamentos e simplificar programação, mas mantém a pilha de segurança fora do lado “criativo”. Depois de tantos acidentes e promessas falhadas na condução autónoma, como os casos recentes de FSD da Tesla ou o contraste com o carro autónomo belga de nível 4 sem IA generativa, esta prudência não é conservadorismo, é higiene básica.
O novo centro serve para acelerar a formação do Digit em cenários realistas de logística e indústria. Mais de 30 clientes estão em conversas para o implementar. Hoje o robot trabalha em zonas sem humanos, mas a versão 5, prevista para o outono, vai conseguir detetar pessoas e já não terá de viver em “gaiolas” robóticas. Apesar disso, a Agility nem quer ouvir falar de robots humanoides domésticos nos próximos anos, em linha com o que a maioria dos especialistas independentes em robótica considera: a tecnologia atual é demasiado poderosa, pesada e imprevisível para andar solta numa sala de estar.
O foco é frio e numérico: bins, caixas, picking, kitting, cartão, contentores, camiões TIR. O cofundador Jonathan Hurst fala em 100 milhões de robots e em empresa avaliada em biliões com a naturalidade de quem olha para a escala do comércio global. Para Portugal, onde a automação de armazéns ainda é tímida fora da grande distribuição, esta vaga de humanoides não chega amanhã. Mas centros como o de Fremont mostram onde a indústria está a pôr dinheiro real: menos sonho de mordomo robótico, mais realidade de empilhador com pernas.
Fonte: TechCrunch
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