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Memória suga PCs baratos do mercado e empurra preços para cima

A febre dos servidores de IA está a secar o stock de RAM e NAND para portáteis de entrada. Nos EUA os sub-460€ estão a desaparecer, e a tendência não vai ficar lá fora.

Memória suga PCs baratos do mercado e empurra preços para cima

Os portáteis baratos estão a ser vítimas colaterais da corrida ao ouro da IA. Nos EUA, os PCs abaixo dos 500$ (cerca de 460€) estão a desaparecer das prateleiras, à medida que a memória fica mais cara e os fabricantes empurram toda a gama para cima.

Dados da Omdia mostram que as vendas de PCs para distribuidores norte-americanos caíram 7 por cento no primeiro trimestre de 2026, para 15,8 milhões de unidades. O segmento que mais sangrou foi precisamente o de entrada: os PCs abaixo dos 500$ encolheram quase 19 por cento. A HP levou o maior trambolhão, perdeu mais de um quinto das unidades vendidas e deixou de ser a marca mais comprada nos Estados Unidos, ultrapassada pela Dell.

A explicação não é só “as pessoas compram menos PCs”. A pressão vem de dentro da própria cadeia de componentes. Os fabricantes de memória estão a desviar capacidade de produção para DRAM e NAND para servidores de IA de alto preço, o que aperta a oferta para PCs e smartphones. Resultado: custos de memória e armazenamento sobem, as margens nos modelos baratos desaparecem e muitos simplesmente deixam de ser lançados. É a mesma lógica que já vimos em produtos como o Surface Pro 12 com menos RAM, só que agora à escala de todo o mercado.

O impacto aparece logo no preço médio. O valor médio de venda de um PC nos EUA passou a barreira dos 1.000$ (cerca de 920€) no trimestre, mais 4 por cento que há um ano. A Omdia avisa que pode subir até 12 por cento até dezembro, puxado por estes “ventos contrários do lado da oferta” e pela fatia crescente de máquinas rotuladas como “PCs de IA”. Nos PCs empresariais o bilhete médio deve aumentar também cerca de 12 por cento em 2026, e mesmo assim o segmento só cai 5 por cento, porque muitas empresas estão a antecipar compras antes de novas subidas.

Para o consumidor comum, a mensagem é menos simpática. A Omdia diz preto no branco que os custos de memória vão manter os preços de entrada elevados até 2027, a matar a procura no processo. Em linguagem prática: aquele portátil a 400€ da promoção de regresso às aulas vai ser cada vez mais raro, e quando aparecer provavelmente vem com menos RAM ou armazenamento do que fazia sentido em 2020. Se juntares isto à pressão que já vimos em marcas como a Apple, que subiu preços até nos recondicionados, a fotografia global é clara, a fatura da IA está a ser empurrada para o utilizador final.

A Europa não vive numa bolha. Fabricantes globais não vão desenhar um PC barato só para Portugal enquanto todos os incentivos apontam para margens gordas em servidores e portáteis premium com selo de IA. Se estás a planear trocar de máquina, o cenário alinha-se com o que já analisámos em preços de PCs em 2026: menos escolha em baixo, mais pressão em cima. Não é uma crise abstrata de “componentes”, é uma escolha muito concreta sobre quem merece ter acesso a um computador decente sem rebentar o orçamento.

Fonte: The Register

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