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Apple aumenta preços dos Mac e iPad e até os recondicionados já pagam a fatura da IA

A subida do custo da memória já chegou às prateleiras da Apple. Os MacBook e iPad ficam mais caros, os recondicionados deixam de ser a alternativa óbvia e a empresa admite que já não consegue absorver o impacto da corrida à inteligência artificial.

Apple aumenta preços dos Mac e iPad e até os recondicionados já pagam a fatura da IA

A Apple deixou de conseguir esconder um problema que se vinha a agravar há vários meses. A empresa aumentou os preços dos MacBook e iPad, justificando a decisão com o forte aumento do custo dos chips de memória RAM e das unidades SSD, componentes cuja procura disparou devido à expansão dos centros de dados dedicados à inteligência artificial. Os iPhone escapam, para já, mas a própria Apple admite que os próximos modelos deverão refletir a mesma realidade.

Os aumentos variam entre 100€ e 400€, dependendo do equipamento. O MacBook Neo passa de 699€ para 799€, enquanto o MacBook Air de 13 polegadas sobe para 1.449€. Já o MacBook Pro começa agora nos 2.249€, podendo chegar aos 3.499€ na versão de 16 polegadas. Também os iPad acompanham a tendência. O iPad Air aumenta 150€ em ambas as versões e os modelos Pro ficam 200€ mais caros. É uma atualização de preços pouco habitual para uma empresa que, durante anos, preferiu reduzir margens antes de alterar tabelas.

A explicação está na cadeia de fornecimento. Os fabricantes de memória têm concentrado a produção nos chips destinados aos grandes aceleradores de IA, um segmento muito mais rentável do que o mercado tradicional de computadores pessoais. O resultado é simples: há menos memória disponível para portáteis, tablets e consolas, e o preço dispara. A Apple reconhece que já não consegue absorver esse aumento sem o refletir no consumidor, uma admissão rara para uma empresa conhecida precisamente pela capacidade de proteger as suas margens sem mexer demasiado nos preços.

O mais curioso aconteceu apenas um dia depois. Nos Estados Unidos, a Apple começou a vender o MacBook Neo recondicionado através da sua loja Certified Refurbished. À primeira vista parece uma boa notícia, mas basta olhar para os números para perceber o que realmente aconteceu. O modelo recondicionado de 256 GB custa $599, cerca de 550€, praticamente o preço a que o modelo novo era vendido antes da subida. Ou seja, o desconto não representa uma verdadeira oportunidade. É apenas uma forma de recuperar o preço antigo, desde que o comprador aceite um equipamento recondicionado. Nem esse segmento escapou totalmente. A Apple também aumentou os preços de grande parte dos Macs e iPads recondicionados, reduzindo ainda mais a diferença para os produtos novos.

Para já, esta estratégia não tem impacto direto em Portugal, porque o MacBook Neo recondicionado ainda não está disponível na Apple Store portuguesa e não existem preços anunciados para a Europa. Ainda assim, o sinal é evidente. O portátil mais acessível da marca deixou de ser verdadeiramente acessível e até o mercado recondicionado começa a refletir a pressão da procura por hardware para IA. Quando até uma Apple, especialista em controlar custos e margens, admite que já não consegue conter a inflação da memória, percebe-se que este deixou de ser um problema passageiro. É um efeito estrutural da corrida global pela inteligência artificial, e tudo indica que outros fabricantes seguirão exatamente o mesmo caminho.

Fonte: MacRumors

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