A Google escolheu a Xreal para lançar o próximo grande teste à realidade mista em formato óculos. O Xreal Aura, headset XR que liga uns óculos a um pequeno “puck” de processamento, chega a meio de novembro com pré-compras já abertas e um preço de entrada de 1.099$, cerca de ~1.010€ ao câmbio direto, sem valor europeu confirmado.
Segundo o CNET, o Aura tinha sido apontado antes para 1.279$, mas a Xreal decidiu baixar o preço de lançamento: $1.099 para a versão com 256 GB de armazenamento e 12 GB de RAM e $1.299 (~1.190€) para o modelo com 512 GB e 16 GB de RAM, este último revisto em baixa a partir dos $1.500 iniciais. Estes valores “promocionais” duram até ao fim de 2026, o que soa mais a preço real disfarçado de campanha do que a desconto passageiro.
O conceito é o mesmo que a Google e a Samsung já tinham vindo a mostrar com o projeto de óculos XR: um par de óculos com ecrãs integrados, ligados por cabo a um módulo do tamanho de um telemóvel que faz todo o trabalho pesado. No caso do Xreal Aura, esse módulo corre AndroidXR, uma variante do Android pensada para realidade mista, que abre qualquer app Android em modo 2D flutuante ou em modos 3D próximos de VR. Nas contas do CNET, o Aura consegue até correr as apps desenhadas para o Samsung Galaxy XR lançado no ano passado, o que indica que a Google está a tentar construir uma plataforma XR única em vez de várias ilhas incompatíveis.
Em termos de interação, o Aura aproxima-se mais de um headset VR do que de uns Ray-Ban com assistente. Há hand tracking para detetar gestos de pinça, scroll e seleção de apps no ar, e é possível emparelhar teclados e comandos de jogos. É um caminho diferente daquele que vimos noutros óculos recentes, como os Even Realities G2, onde o problema não está tanto no hardware como nas decisões sobre como se controla o sistema, como já analisámos nestes óculos da Even.
Tal como as Meta VR Glasses que chegam na próxima primavera, o Xreal Aura também funciona como ecrã externo para outros dispositivos. Basta ligar por USB-C a um telemóvel, portátil ou qualquer aparelho com saída de vídeo por USB-C. Nessa configuração, o que está a ser mostrado é projetado nos óculos, quer como janela flutuante dentro do ambiente do Aura, quer com os óculos a funcionar apenas como um “monitor” ligado ao processador, o que é provavelmente a forma mais simples de justificar o investimento para quem trabalha muitas horas em frente a um portátil.
A Xreal não é novata neste jogo. O fundador e CEO, Chi Xu, anda a perseguir a ideia de óculos de realidade aumentada há anos. Os nReal Light apresentados em 2019 já apontavam para esse destino, mas o Aura é o primeiro produto que parece concretizar a ambição de ter um “portátil na cara” com software a condizer. Chi Xu diz ao CNET que vê estes dispositivos, ligados a pucks de processamento, como substitutos de tablets e portáteis, ao contrário das smart glasses totalmente sem fios que a própria Google, a Meta e outros estão a preparar.
A aposta é clara: em vez de óculos levezinhos com meia dúzia de notificações e comandos de voz, o Aura tenta ser um computador completo, com apps Android, integrações com Gemini e promessa de novas formas de usar câmara e ecrãs montados na cabeça. Falta saber se o público está pronto para pagar mais de 1.000€ por essa visão num mercado onde muitos ainda torcem o nariz a usar qualquer coisa com lentes grossas e cabo pendurado. A tecnologia está a evoluir, mas a barreira social e de preço continua a ser bem mais dura do que qualquer vidro.
Fonte: CNET
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