Xreal a01+: óculos AR baratos que são basicamente um cinema de bolso
Os novos óculos de realidade aumentada da Xreal apostam tudo em ver filmes e jogar em grande ecrã virtual. Nada de câmaras, mais leveza e preço agressivo.
Os novos óculos de realidade aumentada da Xreal apostam tudo em ver filmes e jogar em grande ecrã virtual. Nada de câmaras, mais leveza e preço agressivo.
A Xreal tem novos óculos de realidade aumentada e, desta vez, o alvo não são developers nem fanáticos de RV. Os a01+ chegam como primeiro produto da sub-marca “X by Xreal” e a proposta é simples: um cinema de bolso para quem passa a vida em comboios, aviões ou autocarros. Custam 299$, o que deve traduzir-se em cerca de 275€ se e quando aterrarem oficialmente na Europa. Para já, a marca fala apenas em preço em dólares, sem calendário europeu garantido.
A forma como a Xreal baixou o preço é óbvia: estes óculos não têm câmara. Nada de fotos, vídeos ou “óculos de IA” sempre a captar tudo, ao contrário do que a Meta anda a testar com modelos como os Ray-Ban com IA, que já levantam questões de privacidade bem sérias e até levou a Pixel a olhar para esse tema em artigos como os óculos que gravam quase tudo, quase sempre. Aqui a Xreal fez o caminho inverso: abdica do gadget exibicionista, foca-se em ser ecrã e auscultadores que pousam no nariz.
Essa escolha paga-se em conforto. Os a01+ pesam só 62 gramas, um valor simpático para algo que se vai usar durante um filme inteiro. A marca foi despejando especificações de ecrã para compensar a ausência de câmaras: dois painéis Micro-OLED a 120 Hz, suporte HDR10, brilho até 1.600 nits e um algoritmo proprietário de estabilização espacial para manter a imagem “presa” ao mundo, mesmo se mexes a cabeça ou se o comboio abana. No papel é mais do que suficiente para consumo de vídeo e jogos portáteis a partir de um portátil, consola portátil ou telemóvel compatível.
A Xreal fala de um ecrã virtual equivalente a 147 polegadas visto a 4 metros, com campo de visão de 50 graus, o que na prática é menos “cinema IMAX” e mais “televisor gigante lá ao fundo”. O refrescamento a 120 Hz é a parte que interessa a quem joga em cloud gaming ou liga a um PC para sessões de Steam em viagem. Há três perfis de imagem pensados para isso: Cinema, Eye Care e Standard, nada de ciência de cor digna de estúdio, mas também não é esse o público. Isto não são óculos para trabalhar em múltiplos desktops virtuais, são óculos para desligar do resto do vagão.
No som, a Xreal embala a ficha técnica com “drivers 9×20 mm” e quatro modos: 3D Surround para som espacial, Cinema que puxa pelos diálogos, Whisper para reduzir fuga de som em espaços apertados, e Standard com equalização equilibrada. Em teoria, Whisper é o que interessa num avião ou num Alfa Pendular cheio, porque ninguém quer ouvir o filme do lado. Falta ver, em testes independentes, se esta abordagem “audio de armação de óculos” consegue competir com simples earbuds decentes, que continuam a ser a solução óbvia para muita gente.
Há também o lado estético, que aqui é mais personalização do que moda. Os a01+ trazem frentes intercambiáveis, podes trocar a moldura e até imprimir em 3D acessórios próprios. São mais discretos do que muitos óculos AR premium da marca, mas continuam longe de passar por óculos normais num café. Para quem anda de olho em óculos ligados mas não quer mais um gadget a apontar câmaras a toda a gente, esta abordagem minimalista da Xreal é curiosa. Resta saber se o mercado europeu está disposto a pagar perto de 300€ só para transformar qualquer assento em sala de cinema portátil.
Fonte: Engadget
Comentários · 0