Google confirma Pixel 11 mais caro por culpa da RAM e muda o Android
A memória disparou seis vezes por causa da IA e o Pixel 11 vai pagar a factura. A Google promete compensar com um Android mais magro em consumo de RAM.
A memória disparou seis vezes por causa da IA e o Pixel 11 vai pagar a factura. A Google promete compensar com um Android mais magro em consumo de RAM.
A conta da febre da IA chegou aos smartphones. A Google confirmou que a linha Pixel 11 vai ser mais cara do que a geração anterior, empurrada por uma subida de preços da RAM que, segundo dados citados pela própria empresa, foi multiplicada por seis em apenas um ano.
Shakil Barkat, vice-presidente de dispositivos e serviços da Google, explicou em entrevista que o grupo aguentou o choque de custos o máximo possível, mas que a “realidade de fornecimento” mudou de vez. Um gigabyte de RAM passou de 2,80$ em 2025 para 12$ em 2026. Num topo de gama com 16 GB de RAM, isto significa um salto no custo de materiais de cerca de 45$ para perto de 192$ por unidade. Quem desvia a produção são os mesmos fabricantes de memória que agora preferem vender DRAM e HBM para centros de dados de IA, deixando smartphones, portáteis e consolas a disputar as migalhas. É o mesmo filme que já vimos na crise de RAM analisada quando os EUA começaram a travar a memória chinesa.
No papel, o aumento parece “moderado”: os leaks apontam para um Pixel 11 base a 899$, mais 100$ que o Pixel 10, com a Google a matar a opção de 128 GB e a empurrar toda a gente para 256 GB de armazenamento. Os Pixel 11 Pro e Pro XL seguem a mesma lógica, mais 100$ cada. O detalhe mais desconfortável: nas versões Pro de 256 GB, a RAM desce de 16 GB para 12 GB. Paga-se mais, tem-se menos memória. Para o consumidor europeu isto traduz-se, grosso modo, num patamar que se aproxima perigosamente dos topos da Samsung e da Apple, sem que os Pixel tenham ainda a mesma presença em operadores como MEO, NOS ou Vodafone.
A Google não está sozinha. A Samsung já tinha testado o terreno com o Galaxy S26, também com subida de 100$ e corte no modelo de 128 GB, embrulhando tudo em linguagem de “upgrade de armazenamento”. A Apple tem vindo a mexer preços em quase toda a gama desde junho, antecipando iPhones mais caros no fim do verão. E a Qualcomm avisou clientes de que os seus chips vão ter aumentos de dois dígitos a partir de 1 de setembro. O sector inteiro decidiu que a crise de memória e o apetite da IA são motivo suficiente para puxar a fasquia para cima. No meio disto, a conversa de “valor acrescentado” soa cada vez mais a folha de Excel.
Barkat tentou equilibrar o discurso com uma promessa menos cínica: a Google está a lançar um esforço dedicado para reduzir o consumo de memória em todo o Android e no ecossistema de apps. A ideia é reescrever partes do sistema e impor novas métricas aos developers, para que o sistema operativo respire melhor em aparelhos com menos RAM. Em teoria, isto é boa notícia para quem não vai comprar um Pixel 11, porque optimizações profundas ao Android acabam por chegar a modelos de gama média e baixa. Na prática, só será credível se a Google tiver coragem de cortar gordura nas suas próprias apps, que hoje tratam 8 GB de RAM como se fossem o mínimo aceitável.
Para já, sabe-se apenas que os preços exactos serão revelados a 12 de agosto no evento Made by Google em Nova Iorque, sem detalhe ainda para a Europa. A leitura é simples: o boom da IA está a subsidiar servidores à custa do hardware de consumo, e o Pixel 11 é mais um caso de estudo. Quando pagas mais por um telemóvel com menos RAM, parte da factura não é o telefone em si, é a nuvem de alguém.
Fonte: The Next Web
Comentários · 0