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Xpeng leva o carro voador à Alemanha, mas a Europa fica a ver

O Land Aircraft Carrier já tem mais de 7.000 encomendas e fábrica para 10.000 unidades por ano. O problema é simples: por agora só a China o vai poder usar.

Xpeng leva o carro voador à Alemanha, mas a Europa fica a ver

O Land Aircraft Carrier da Xpeng apareceu em Munique com a subtileza de um filme de ficção científica estacionado à porta. É um veículo eléctrico de seis rodas, baptizado de Mothership, com um módulo voador de dois lugares preso na traseira. Chega ao local em modo carro, descarrega o módulo e esse eVTOL (electric vertical take-off and landing, voo vertical eléctrico) de seis rotores levanta voo com duas pessoas a bordo, assente numa estrutura de fibra de carbono para poupar peso.

A Xpeng diz já ter mais de 7.000 encomendas e uma fábrica dedicada com capacidade planeada para 10.000 unidades por ano. Em linguagem de industria automóvel isto não é um capricho de salão, é uma linha de produção séria. A marca também garante que o arranque de produção em massa acontece ainda este ano. Só há um detalhe que corta o efeito especial: as primeiras unidades vão todas para a China, onde o quadro regulatório e a vontade política têm sido bem mais simpáticos para este tipo de brinquedos voadores.

Na Europa, incluindo Portugal, a conversa é outra. Para este conjunto carro+eVTOL circular em estrada precisaria de homologação automóvel, para voar precisaria de certificação de aeronave e regras de operação definidas por EASA (Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação). Nada disso existe ainda para este modelo, nem há sinal de um protótipo preparado para cumprir os requisitos europeus de segurança, ruído e gestão de tráfego aéreo de baixa altitude. Se até um carro autónomo nível 4 em autoestrada leva anos a ganhar confiança dos reguladores, um SUV com drone acoplado não vai ter via verde tão cedo.

A apresentação em Munique faz parte de uma ofensiva mais ampla da Xpeng no continente. No mesmo evento, a marca mostrou o L03, o seu eléctrico mais acessível, que carrega até 80% em 20 minutos e é o primeiro carro chinês a sair de fábrica com chips de condução autónoma proprietários. Ou seja, ao lado do espectáculo do carro voador, a Xpeng trouxe também aquilo que interessa hoje ao mercado europeu: compactos eléctricos rápidos a carregar e com assistência avançada à condução, prontos para enfrentar os incentivos fiscais, as normas de emissões e a concorrência alemã.

A mensagem é clara. Os construtores chineses deixaram de jogar apenas no argumento do preço e começam a atacar em todas as frentes ao mesmo tempo, dos EV baratos aos robotáxis, passando agora por conceitos aéreos que colocam os fabricantes europeus numa posição defensiva em termos de ambição tecnológica. Se o Land Aircraft Carrier se torna um produto viável ou fica como peça de marketing é quase secundário para já. O que conta é a imagem de uma indústria chinesa que já conseguiu normalizar o carro eléctrico e agora tenta normalizar a ideia de que o próximo passo também virá de lá, seja por estrada, por via autónoma ou, neste caso, pelo ar.

Fonte: The Next Web

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