WWDC 2026: Vem aí uma nova Siri?
O adeus de Tim Cook e a chegada da Siri com verdadeira inteligência artificial. Daqui a pouco ficamos a saber o que vai mudar no ecossistema Apple.
O adeus de Tim Cook e a chegada da Siri com verdadeira inteligência artificial. Daqui a pouco ficamos a saber o que vai mudar no ecossistema Apple.
A contagem decrescente terminou. Hoje, segunda-feira, 8 de junho de 2026, as atenções do mundo tecnológico viram-se todas para Cupertino. A WWDC 2026, a grande conferência de programadores da Apple, arranca já daqui a pouco. Para nós, em Portugal, o tiro de partida é dado precisamente às 18:00 na hora de Lisboa. Este é o segundo evento mais importante do ano para a Apple, sendo apenas superado pelo lançamento dos novos iPhones em setembro, mas a edição de hoje carrega um peso dramático especial. Não se trata apenas de conhecer o futuro do iOS 27 ou do macOS 27, pois trata-se de ver a Apple a jogar o tudo por tudo na corrida da inteligência artificial.
A WWDC 2026 vai ser o momento em que a Apple assume que a Siri antiga morreu. O plano é simples: transformar a assistente num chatbot ao estilo ChatGPT ou Claude, mas profundamente integrado no iPhone, no iPad e no Mac. A nova Siri terá acesso a quase tudo o que tens nos teus dispositivos. Em iOS 27, iPadOS 27 e macOS 27, a Siri passa a usar modelos de IA generativa ao estilo Gemini ou GPT. O discurso interno em Cupertino é focado em ter IA em todo o lado, o que se traduz em três pilares fundamentais: contexto pessoal agressivo, consciência do que está no ecrã e uma integração séria com as aplicações. Na prática, a Siri vai poder vasculhar os teus emails, mensagens, fotografias, ficheiros, notas, calendário e contactos para responder a pedidos específicos, como procurar um ficheiro enviado por um colega na semana passada ou encontrar uma receita antiga.
A grande novidade no ecossistema é a capacidade de a Siri perceber o contexto visual do teu telefone. Imagina que estás a ler uma mensagem de um amigo com uma morada nova: em vez de estares a copiar o texto, a abrir a app dos Contactos, a procurar o nome dele e a colar a morada no sítio certo, o teu iPhone passa a ler o que está no teu ecrã naquele preciso momento. Isto significa que só precisas de dizer à Siri para adicionar aquela informação ao contacto da pessoa. A assistente olha para o ecrã, identifica a morada e grava-a diretamente na ficha de contactos, tudo de forma automática e sem precisares de tocar no telefone. O mesmo acontece se estiveres a ver uma fotografia e disseres para a enviar a alguém, pois a Siri trata do envio num piscar de olhos. Parece magia, mas é simplesmente a Apple a apanhar o comboio onde a Google já vai avançada com o Gemini Intelligence e a Microsoft com o Copilot.
A diferença é que a Apple embrulha tudo na narrativa habitual da privacidade. Esta postura vai ser especialmente escrutinada na Europa, com as regras do RGPD em cima e os reguladores de olhos bem abertos para perceber o impacto real desta devassa de dados pessoais na nossa vida privada. O outro grande passo é a integração profunda com as aplicações, prometendo deitar por terra as velhas barreiras do sistema operativo. Em vez dos atalhos limitados que temos hoje, a Siri passa a conseguir mover ficheiros entre aplicações diferentes, editar uma foto e partilhá-la de imediato, ou arranjar direções para casa e mandar automaticamente o tempo estimado de chegada por mensagem. A melhor parte é que isto não fica trancado nas aplicações oficiais da maçã, visto que os programadores vão poder expor as capacidades das suas próprias apps à Siri.
Como chatbot redesenhado, a Siri ganha finalmente uma aplicação própria e um modo de conversa contínua muito semelhante ao iMessage. Passa a pesquisar na web com eficácia, a gerar imagens e texto, a resumir documentos extensos e a substituir o Spotlight como o verdadeiro motor de pesquisa do dispositivo. A grande diferença em relação a usares um ChatGPT na web é o acesso direto ao teu contexto pessoal, nomeadamente emails específicos, documentos e conversas antigas. Isto é incrivelmente poderoso, mas é também um pesadelo em potência se a Apple falhar na transparência ou nos controlos finos de privacidade, sobretudo para quem usa o mesmo iPhone para o trabalho e para a vida pessoal.
Visualmente, a Apple também vai mexer na interface para deixar claro que a mudança é real. A Siri passa a viver sobretudo na Dynamic Island. Um swipe para baixo ao centro do ecrã abre o novo modo chamado Search or Ask, mostrando uma animação em forma de pílula luminosa enquanto a assistente pensa. Quando há uma resposta, a Dynamic Island expande-se para um cartão semitransparente com texto, imagens e dados vindos diretamente da internet. Um simples gesto transforma isso numa conversa em modo chat e há sempre a opção de saltar para a aplicação completa. Este novo modo substitui as antigas e obsoletas sugestões da Siri e vai admitir enviar a tua pergunta diretamente para chatbots de terceiros se a Apple não souber a resposta, sendo um reconhecimento claro de que Cupertino precisa da ajuda dos modelos da Google e da OpenAI.
A WWDC 2026 guarda ainda outro momento histórico: esta será a última conferência de programadores liderada por Tim Cook. O icónico CEO vai despedir-se do palco da WWDC antes de passar oficialmente o testemunho a John Ternus no mês de setembro. É o fechar de um ciclo de 15 anos na liderança da empresa. No entanto, nem só de inteligência artificial se fará o evento de hoje. Do lado do watchOS 27, as expectativas indicam que os utilizadores não querem mais um chatbot no pulso, preferindo um verdadeiro treinador de saúde. A ideia é usar os anos de recolha de dados biométricos para transformar o relógio num mentor em tempo real, enquanto vários analistas relembram que o iOS 27 precisa urgentemente de focar-se em correções práticas do dia a dia, como um histórico de cópias decente e menus de definições menos labirínticos.
Para quem usa Apple em Portugal, a grande dúvida que fica no ar é pragmática e foca-se no nosso idioma: quanto desta avalanche de inteligência artificial chega cá, em português de Portugal, logo no primeiro dia? A Apple tem um histórico bem conhecido de tratar línguas com menor expressão global como um autêntico atraso de vida. Se desta vez a empresa repetir o padrão e deixar a Siri nova a falar apenas em inglês e mais duas ou três línguas principais durante meses a fio, arrisca-se a vender uma IA fantástica nos keynotes e a entregar um silêncio frustrante em metade da Europa. E aí não é a inteligência artificial que falha, é mesmo a promessa da Apple.
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