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Apple testa memória DRAM chinesa da CXMT sob olhar de Washington

A Apple está a testar chips de memória da CXMT para iPhones vendidos na China. Para Washington é risco de segurança, para Pequim é soberania tecnológica a funcionar.

Apple testa memória DRAM chinesa da CXMT sob olhar de Washington

A Apple começou a testar chips de memória DRAM da chinesa CXMT para aparelhos vendidos dentro da China, segundo o Financial Times. À primeira vista é só mais um fornecedor numa cadeia de montagem gigante. Mas esta escolha encosta Cupertino ao lado de uma empresa que Washington já marcou como potencial risco de segurança.

A CXMT, ChangXin Memory Technologies, é hoje o quarto maior fabricante mundial de DRAM, o tipo de memória que vai do teu telemóvel aos servidores dos grandes centros de dados. Representa cerca de 11 por cento do mercado e análises como as da SemiAnalysis apontam para 15 por cento até 2028, graças a novas fábricas em Hefei, Xangai e Pequim. O plano é simples, à escala chinesa: mais capacidade, preços em baixo, dependência do exterior em queda. É a mesma lógica que vimos nos painéis solares e nos carros eléctricos.

Politicamente, a situação é mais explosiva do que técnica. A CXMT vai a caminho de um IPO em Xangai para angariar pelo menos 29,5 mil milhões de yuan, cerca de 4,3 mil milhões de dólares, com pelo menos 15 accionistas estatais a controlarem 36 por cento da empresa. É um braço quase directo da estratégia de Pequim para uma cadeia de fornecimento de chips autossuficiente. Ao mesmo tempo, os EUA discutem se devem colocar a CXMT e outras mais de 100 empresas numa lista negra por preocupações de segurança, mas têm adiado a decisão para não acender outra crise com a China.

Para a Apple isto não é território novo. Em 2022 já tinha levado um enxerto de críticas em Washington por considerar memória chinesa, com políticos como Marco Rubio, hoje secretário de Estado, a apontarem o dedo. A resposta pública da empresa foi apostar mais em silício próprio e em parceiros norte-americanos. Agora, volta a puxar a linha até ao limite: testa DRAM chinesa para o mercado chinês e, em paralelo, faz lóbi em Washington para poder usar peças da CXMT de forma mais alargada.

Do lado da indústria há outro medo menos ideológico e mais de margens: que a DRAM siga a rota dos solares e dos eléctricos. Capacidade subsidiada, preços globais a cair, concorrência fora da China a apertar o cinto. Para quem acompanha o preço da memória, isto cruza-se directamente com o que já explicámos sobre como a memória DRAM está a distorcer o custo dos smartphones. Se a CXMT ganhar escala com apoio estatal, pode empurrar preços para baixo a curto prazo mas também ditar quem sobrevive a médio prazo.

Para quem compra um iPhone em Portugal, isto não muda já nada, até porque a própria CXMT tem a produção praticamente toda reservada por clientes chineses. Mas mostra como a Apple deixou de ser só uma empresa de hardware elegante e passou a ser um actor involuntário na guerra de chips entre EUA e China. Quando a memória do teu próximo telemóvel é assunto de secretário de Estado e de comissário em Bruxelas, percebes que a ficha da tecnologia já mudou de lado há algum tempo.

Fonte: The Next Web

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