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Windows 11 ganha rewind total, mas apaga também os teus ficheiros

A nova opção de recuperação do Windows 11 cria pontos de restauro automáticos e reverte tudo, incluindo apps e documentos criados depois. É mais segura para o sistema, mais perigosa para quem não faz backups.

Windows 11 ganha rewind total, mas apaga também os teus ficheiros
Ilustração digital | Pixel Magazine

O Windows 11 ganhou um botão de rewind mais agressivo que o velho Restauro do Sistema. A nova função chama-se point-in-time restore e faz basicamente isto: volta atrás 24 horas e finge que tudo o que fizeste desde aí nunca aconteceu, sistema, apps e ficheiros incluídos.

O Restauro do Sistema clássico já anda no Windows há mais de 20 anos, mas quase ninguém lhe toca. Não vem ativo por defeito, só cria pontos de restauro em grandes atualizações e obriga a mexer em menus que pouca gente abre. Na prática, quando dás por falta desta rede de segurança, normalmente já é tarde. A Microsoft parece ter percebido o falhanço e empurrou agora esta nova opção para a frente do palco, com ativação automática e snapshots regulares.

O comportamento é diferente e convém mesmo perceber a nuance. Em vez de se limitar a repor ficheiros de sistema e definições, o point-in-time restore apaga também qualquer app instalada depois do ponto de restauro e remove documentos, fotos ou downloads criados entretanto. É um verdadeiro “rebobinar o PC”, não o soft reset a que o Restauro do Sistema habituou muita gente. Bom para desfazer uma instalação tóxica ou malware, péssimo se tens o hábito de guardar tudo só no ambiente de trabalho.

Por defeito, o Windows 11 cria um ponto de restauro a cada 24 horas. Nas edições Enterprise dá para reduzir o intervalo para 6 ou 4 horas, o que faz sentido em máquinas de trabalho onde se testam apps e políticas de grupo como se não houvesse amanhã. Para evitar ocupar demasiado espaço, o sistema apaga automaticamente pontos com mais de 3 dias e deixa-te definir um limite de armazenamento, num esquema parecido ao que já existia no Restauro do Sistema. É uma abordagem minimamente sensata, sobretudo num sistema que já tem peso suficiente em disco.

A configuração é quase inexistente: vais às Definições, secção de recuperação, e encontras o point-in-time restore lá dentro. Também aparece no menu de recuperação avançada, útil quando o Windows se recusa a arrancar e tens de empurrar o PC para modos de emergência. É mais uma camada a juntar a backups no OneDrive, cópias externas e truques como o afinanço do processador que já explicámos no guia para acelerar o Windows 11 via CPU. A diferença é que aqui não há mil opções, há um grande interruptor com consequências bem claras.

O lado menos simpático é a confiança cega que isto pode criar. Quem achar que este rewind substitui um backup a sério vai descobrir da pior forma que três dias de snapshots locais não salvam um portátil roubado, nem um SSD que morreu. Para a Microsoft, é uma forma inteligente de reduzir estragos de updates problemáticos e vulnerabilidades, menos telefonemas a pedir ajuda e menos patches de emergência como aquele de que falámos quando teve de desfazer o seu próprio recorde. Para quem usa o PC todos os dias, a regra continua a mesma de sempre: o novo rewind é bem-vindo, mas o que não estiver copiado fora da máquina continua a valer zero.

Fonte: MakeUseOf

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