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VFLEX: o dongle que leva USB-C aos teus velhos gadgets

O Werewolf VFLEX é um adaptador programável que pega em tomadas barrel jack antigas e alimenta-as com power banks USB-C. Menos carregadores, menos lixo eletrónico, mais versatilidade.

VFLEX: o dongle que leva USB-C aos teus velhos gadgets

Um monitor de secretária de 27 polegadas, uma Super Famicom dos anos 90 e um disco externo antigo alimentados todos pela mesma bateria USB-C. Não é magia, é um dongle de 8 dólares chamado Werewolf VFLEX.

A ideia é simples, mas bem pensada. O VFLEX é um pequeno adaptador programável que fala o protocolo USB Power Delivery e o traduz para as clássicas fichas cilíndricas de alimentação, os chamados barrel jacks, que enchem gavetas e caixas de cabo em qualquer casa. Ligas o VFLEX ao telemóvel para lhe dizeres que tensão queres, ligas depois a uma porta USB-C com power delivery e na outra ponta encaixas uma ponta de barrel jack de 4 dólares. De repente, aquele monitor Asus velho, a consola importada do Japão ou a luz de vídeo cheia de pilhas passam a viver felizes com a mesma bateria portátil que usas para carregar o smartphone.

A graça está em não ser preciso pegar em soldador. Nada de abrir o equipamento, cortar cabos ou substituir fichas. O VFLEX comporta-se como um carregador universal que cabe no bolso, só que em vez de o espetares na tomada de parede, espetas numa power bank moderna, que muitas vezes consegue debitar dezenas de watts. O autor do artigo original da The Verge andou a alimentar um monitor (~24 W), uma Super Famicom (~2 W) e um adaptador RCA‑para‑HDMI com uma só bateria Shargeek 300, durante horas. Um Game Boy de 1989 a consumir 0,33 W teoricamente aguenta mais de 90 horas com uma bateria de bolso. Não é um cenário de laboratório, ele usou mesmo isto numa festa de jogos clássicos e em sessões de filmagem no quintal.

Há, claro, um lado menos plug and play do que o tamanho sugere. O VFLEX exige atenção: tens de o programar com a tensão certa antes de o ligares ao aparelho. Guarda as definições em memória não volátil, por isso não precisas de repetir o processo sempre, mas se trocares de gadget e te esqueceres de reconfigurar, arriscas-te a mandar 20 V para algo que esperava 9 V. Não é o tipo de acessório que se empresta a um familiar distraído. É mais para quem já tem uma relação saudável com multímetros e rótulos escritos com marcador. E convém lembrar que nem todas as fontes USB-C ou power banks expõem os mesmos perfis de potência.

Para quem anda a tentar reduzir a gaveta de carregadores, isto encaixa bem na conversa de quais adaptadores USB vale mesmo a pena manter em 2026. Em vez de guardares três transformadores proprietários para “o monitor que ainda funciona”, “a luz de vídeo que dá jeito” e “aquele disco velho que não queres deitar fora”, podes ficar com um pequeno kit de VFLEX mais pontas barrel e um único carregador USB-C decente. Menos tralha, menos risco de perder o transformador específico que depois nunca mais se arranja na Worten ou na FNAC.

O VFLEX vende-se a partir do site da Werewolf, em dólares e sem presença oficial na Europa por enquanto, o que implica portes, alfândega e alguma paciência. Mesmo assim, a ideia em si é um bom puxão de orelhas à indústria, que ainda hoje insiste em fontes proprietárias em equipamento profissional e semi‑pro. Enquanto não houver coragem para matar de vez as fichas exóticas, adaptadores inteligentes como o VFLEX são o remendo pragmático que mantém retroconsolas, monitores velhos e acessórios de estúdio a respirar mais uns anos com a mesma porta USB-C que já domina o resto da secretária.

Fonte: The Verge

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