Um em cada seis apps de VPN anda a seguir a tua localização
Relatório da Proton analisa 64 apps de VPN na App Store e Google Play e conclui que muitas fazem exatamente o oposto do que prometem em privacidade.
Relatório da Proton analisa 64 apps de VPN na App Store e Google Play e conclui que muitas fazem exatamente o oposto do que prometem em privacidade.
Uma VPN existe para esconder a tua pegada digital, não para a vender ao melhor candidato. O novo relatório da Proton mostra que a teoria e a prática estão longe de bater certo: 64 apps de VPN populares na App Store da Apple e na Google Play vêm recheadas de trackers a recolher dados sensíveis. Em junho, só nos EUA, estas apps somaram mais de 13 milhões de downloads.
O estudo focou-se em VPNs descarregadas nos EUA, mas o problema é global. Segundo a Proton, estas aplicações recolhem identificadores de dispositivo, informação da rede, modelo do telemóvel, dados do operador móvel e, em 25% dos casos, seguem ativamente a tua localização. Em vez de mascarar o IP e a posição geográfica, muitas destas VPNs criam um dossiê ainda mais detalhado sobre quem és e onde estás.
O relatório aponta ainda que 64 destas apps são controladas por empresas chinesas e que 31 recorrem a empresas de fachada registadas em Singapura, Hong Kong ou Reino Unido para esconder a verdadeira propriedade. Num contexto de vigilância estatal agressiva, um governo autoritário com acesso a estes dados pode seguir um jornalista, um agente da autoridade ou alguém que participa num protesto. O que se aplica à China aplica-se também a outros países amantes de dados: Israel, Rússia e até as chamadas Five Eyes, o bloco de vigilância composto por Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e EUA.
O detalhe mais desconfortável para quem usa iOS ou Android é a passadeira vermelha estendida por Apple e Google. As duas empresas confiam em grande medida na auto-declaração dos developers. Exigem formulários e políticas de privacidade, mas não fazem auditorias independentes sistemáticas ao que os SDKs (Software Development Kits) lá dentro estão realmente a fazer. O resultado é semelhante ao que já se vê noutros lados: lojas de apps cheias de software com tracking agressivo, não muito diferente dos monitores com anúncios e tracking que começam a chegar ao desktop.
Para um utilizador em Portugal ou no resto da Europa, isto não é uma curiosidade distante. Muitas destas mesmas apps aparecem nas nossas lojas locais, embaladas com ícones bonitos, avaliações duvidosas e promessas de “segurança total” por zero euros. O RGPD dá-nos mais direitos no papel, mas não impede que dados sejam puxados para fora da UE através de apps mal desenhadas ou deliberadamente opacas. E uma VPN gratuita gerida a partir de uma jurisdição agressiva em vigilância é basicamente pedir problemas.
O conselho óbvio continua válido, mas o relatório da Proton reforça-o: desconfia de VPNs gratuitas, de políticas de privacidade vagas e de empresas que não explicam onde estão sediadas, quem as controla e que auditorias independentes já fizeram. Serviços como Proton VPN e ExpressVPN são citados justamente por terem testes regulares, relatórios de transparência e estrutura corporativa visível. Num cenário em que até o sistema operativo entra na luta pelos teus dados, como se viu com os novos controlos de privacidade do Windows 11, usar uma VPN deixou de ser uma questão de instalar a app mais popular. É uma questão de escolher quem realmente quer proteger-te, e quem está só à procura de mais um fluxo de dados para explorar.
Fonte: CNET
Comentários · 0