Trena, detetor de metais e sonómetro: o Android faz tudo isto
Com as apps certas, o telemóvel Android substitui fita métrica, detetor de metais e medidor de ruído. Não chega ao nível profissional, mas desenrasca mais do que parece.
Com as apps certas, o telemóvel Android substitui fita métrica, detetor de metais e medidor de ruído. Não chega ao nível profissional, mas desenrasca mais do que parece.
O telemóvel já substituiu a máquina fotográfica, o leitor de MP3 e quase o portátil em muita coisa. Segundo o MakeUseOf, pode ir ainda mais longe: com meia dúzia de sensores e as apps certas, um Android consegue ser fita métrica, detetor de metais e sonómetro básico. Não é magia, é aproveitar melhor o hardware que já lá está.
Na parte das medições, a câmara junta-se ao acelerómetro e ao giroscópio para estimar distâncias, alturas e áreas através de realidade aumentada. Em modelos Samsung existe a app própria Quick Measure, mas qualquer Android recente se safa com alternativas como a AR Ruler. O princípio é simples: o telefone deteta superfícies planas, escolhes um ponto inicial e outro final, e a app calcula o comprimento ou a altura. Formas óbvias como quadrados, retângulos ou círculos são reconhecidas automaticamente.
O jornalista do MakeUseOf levou isto mais longe e usou estas medições para decidir se uma mesa passava numa porta, estimar a área de uma divisão ou medir o ecrã da TV. A conclusão foi previsível mas útil: é razoavelmente preciso para tarefas do dia a dia, péssimo para qualquer coisa onde o milímetro conte. Ou seja, bom para remodelar a sala mentalmente, mau para obra a sério. E convém lembrar que boa parte destas apps despeja publicidade e pedidos de subscrição, por isso o custo real não é só em tempo.
No capítulo do detetor de metais, entra em jogo o magnetómetro que quase todos os Android modernos trazem para orientar mapas e bússolas. Apps como Physics Toolbox Suite leem o campo magnético e mostram em gráfico qualquer variação brusca quando aproximas o telemóvel de algo metálico. O MakeUseOf mostra que se notam bem os picos quando passas por cima de pregos ou estruturas metálicas escondidas. Não substitui um detetor profissional em contexto de obra ou arqueologia, mas para perceber por onde correm vigas numa parede antes de furar já pode poupar chatices.
O mesmo raciocínio aplica-se ao som. Os microfones do telefone, pensados para chamadas e vídeo, conseguem alimentar apps de medição de ruído que dão leituras em decibéis e registam picos. É suficiente para ter uma noção se o barulho do bar, da oficina ou da rua está a níveis desconfortáveis, sobretudo se tens curiosidade com a saúde auditiva. Mas entre microfones diferentes, capas grossas e falta de calibração, seria irresponsável usar um Android como prova em inspeções de trabalho ou disputas legais.
No fim, a moral é simples: o Android é uma caixa de ferramentas decente, desde que se aceite que continua a ser um telemóvel em primeiro lugar. Para quem gosta de espremer sensores, estas apps lembram que há muito hardware subaproveitado no bolso. E também expõem a fragilidade habitual: dependes de software cheio de anúncios e permissões agressivas para aceder a funções que o sistema podia oferecer de origem, tão integrado como a câmara ou o bloqueio por impressão digital.
Fonte: MakeUseOf
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