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Google reforça defesas anti-burla em chamadas e SMS no Android

Mensagens, partilha de ecrã e reencaminhamento de chamadas recebem novas proteções, muitas alimentadas por IA, para travar esquemas antes de chegarem ao utilizador.

Google reforça defesas anti-burla em chamadas e SMS no Android
Ilustração digital | Pixel Magazine

A Google está a apertar o cerco às burlas em telemóveis Android. Segundo o CNET, a empresa começou a lançar um pacote de novas proteções para chamadas, mensagens e partilha de ecrã, com a promessa de bloquear esquemas antes de o utilizador cair neles. Parte do truque vem da IA que a empresa já usa nas apps Telefone e Google Messages, onde diz estar a sinalizar 5 milhões de chamadas e SMS suspeitos todos os meses.

No centro das novidades está um novo modo de proteção avançada no Google Messages. É opcional, mas quando ativado passa a analisar mais conteúdo da conversa com números desconhecidos para tentar perceber mais depressa a intenção de quem está do outro lado. A Google garante que o processamento com IA é feito de forma privada, com encriptação nos seus servidores, e que o sistema também olha para links potencialmente maliciosos e para números estranhos. Nas palavras da empresa no seu post oficial, o objetivo é intervir quando ainda estás a falar com o burlão, não depois de teres carregado no link errado.

Estas defesas não ficam presas ao universo Pixel. De acordo com a CNET, a Google promete levar a deteção de esquemas também para notificações de chat em smartphones de outros fabricantes como Motorola, OnePlus e Xiaomi ainda este ano. Na prática, a gigante americana quer transformar o cliente de mensagens que já domina o Android no filtro de segurança de referência, algo que encaixa bem com o fim do Samsung Messages, que encerrou em julho e empurrou muitos utilizadores para o Google Messages por falta de alternativa séria.

Há ainda mudanças fora da caixa das mensagens. A partilha de ecrã passa a esconder automaticamente campos sensíveis quando é preciso escrever uma palavra-passe ou dados de login. Para quem já viu assistências “remotas” a descambar em burla bancária, esta barreira automática é tudo menos cosmética. A par disto, surge uma proteção proativa no reencaminhamento de chamadas, que deixa de poder ser ativado às escondidas por apps. A ideia é simples: impedir que alguém desvie chamadas ou códigos de autenticação de dois fatores sem notificação clara ao dono do número.

A própria Google encomendou à YouGov um inquérito para medir o pulso aos utilizadores. Entre 4.500 adultos, 40% disseram estar “muito” ou “extremamente” preocupados com fraude móvel. O número ajuda a justificar o investimento, mas também revela o problema: se quase metade das pessoas anda em permanente modo de desconfiança, o sistema já falhou algures. Ferramentas automáticas de bloqueio ajudam, mas não substituem atualizações de segurança em dia nem um mínimo de literacia digital, temas que já explorámos em guias como como calar chamadas de spam e em como verificar o estado de segurança do Android.

Para quem usa Android em Portugal ou noutro país europeu, o pacote de novidades é mais um passo na direção certa. Mas há um ponto que convém não perder de vista: cada camada de proteção alimentada por IA é também mais um ponto de dependência da infraestrutura da Google e das suas decisões sobre o que é ou não suspeito. Entre a comodidade de deixar o filtro trabalhar por ti e o risco de centralizar toda a vigilância num só fornecedor, o equilíbrio continua a ser uma escolha do utilizador, não de um algoritmo.

Fonte: CNET

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