Os topos de gama mataram a ficha de 3,5 mm, mas não mataram a vontade de usar auscultadores com cabo. A solução mais comum tem sido o dongle USB-C para jack, esse penduricalho frágil que vive perdido no fundo da mochila. O MakeUseOf foi à procura de alternativa e aterrou numa resposta óbvia que muita gente ainda ignora: um DAC USB-C minúsculo que encaixa junto ao telemóvel e fica lá esquecido.
Falamos de pequenos DACs (digital-to-analog converter, conversores digital-analógico) USB-C pensados para telemóveis e leitores de áudio digital, não das caixas de secretária com botões e entradas para meio estúdio. Estes adaptadores não só convertem a porta USB-C na ficha de 3,5 mm como acrescentam potência de amplificação e permitem reprodução bit-perfect de ficheiros áudio sem perdas. Ou seja, mesmo que o teu antigo telemóvel tivesse jack, a qualidade possível através de USB-C costuma ser melhor, desde que o DAC não seja um tijolo de 5€ sem nome.
O jornalista do MakeUseOf focou-se num modelo que foge ao típico cabo curto com uma caixa pendurada a meio. Em vez disso, é um bloco compacto que se liga diretamente à porta USB-C e fica praticamente raso com o corpo do telefone. A diferença no dia a dia é simples: não tens um cabo extra a dobrar e a partir, nem algo que esteja sempre a enrolar-se nos bolsos. A desvantagem óbvia é que ficas a ocupar a única porta do telemóvel, esquecendo o carregamento simultâneo. Mas quem compra isto fá-lo, em geral, a pensar em sessões de audição dedicadas, não em ouvir música enquanto faz de powerbank humano.
Segundo o MakeUseOf, o pequeno DAC em causa é capaz de alimentar auscultadores exigentes sem chiadeira e sem ter de empurrar o volume para o máximo. A ficha de 3,5 mm no topo do adaptador leva qualquer par de auscultadores com cabo, enquanto o próprio corpo do DAC é curto o suficiente para funcionar mesmo com capas relativamente espessas, algo que muitos dongles tradicionais não garantem. O texto sublinha ainda que, em Android, usar um DAC dedicado permite contornar as limitações da pilha de áudio do sistema e tirar partido de modos USB exclusivos em apps como o Poweramp, onde o áudio sai sem ser mexido pelo sistema antes de chegar ao conversor.
Há um pormenor que interessa a quem tem mais que um par de auscultadores: certos DACs compactos já trazem saída balanceada em formato jack de 4,4 mm ou 2,5 mm, além da clássica de 3,5 mm. Isso abre a porta a cabos balanceados e a menos interferência electromagnética, algo particularmente útil com auscultadores sensíveis. Como lembra o MakeUseOf noutro artigo, as saídas balanceadas ajudam a manter o ruído sob controlo em ambientes cheios de cabos e sinais, e estes DACs de bolso começam a importar ideias do áudio de secretária para o bolso das calças.
O preço apontado para o modelo testado ronda os 24$, cerca de 22€, num patamar em que começa a haver DACs claramente melhores do que qualquer dongle “de brinde” que venha numa caixa de telemóvel. Não é um produto pensado para o utilizador que ficou resignado ao Bluetooth e aos codecs com perdas, é para quem ainda quer tirar partido de ficheiros lossless e de auscultadores sérios. A ironia é óbvia: a indústria matou a ficha de 3,5 mm em nome da simplicidade, e a solução sensata acabou a ser adicionar mais um pequeno bloco de electrónica, só que desta vez com qualidade a condizer.
Fonte: MakeUseOf
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