GADGETS

TCL Note A1 Nxtpaper quer ser caderno e tablet ao mesmo tempo

O novo híbrido da TCL tenta juntar escrita confortável e vídeo fluido num só dispositivo. Aproxima-se do alvo, mas falha onde os fanáticos de E Ink são mais exigentes.

TCL Note A1 Nxtpaper quer ser caderno e tablet ao mesmo tempo

A TCL anda a insistir na ideia de ecrã “tipo papel” e não é difícil perceber porquê. Depois do Tab A1 Plus Nxtpaper focado em preço, chega agora o Note A1 Nxtpaper, uma espécie de híbrido entre tablet Android e caderno digital. Quer ser o sítio onde tomas apontamentos manuscritos e, logo a seguir, vês uma série sem parecer que estás a olhar para vidro espelhado.

O truque está no ecrã: um LCD mate proprietário da TCL, com resolução 1.440 x 2.200 e taxa de atualização de 120 Hz. À primeira vista, lembra E Ink, reduz reflexos e é bem mais amigável para os olhos do que o típico painel brilhante. Mas convém deixar claro: não é E Ink, não tem aquele contraste seco nem a textura de papel que vicia quem já se habituou a um reMarkable ou Kindle Scribe.

Na prática, o Note A1 coloca-se num meio-termo curioso. É muito mais agradável de escrever e ler do que um tablet Android normal, e ao mesmo tempo mantém cor, fluidez e resposta imediata para vídeo, jogos leves ou apps de produtividade. Se queres um dispositivo único para notas manuscritas, ebooks e Netflix, a ideia faz sentido. Se o que te move é a sensação de caneta em papel, este não é o teu brinquedo.

Por dentro, o Note A1 joga na gama média-alta: processador MediaTek G100, 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Chega para Android sem engasgos e para as funções de IA que a TCL está a empurrar aqui: resumos automáticos de reuniões, transcrição de áudio para texto e conversão de escrita manual. O destaque vai mesmo para a caneta incluída, com boa sensibilidade à pressão e integração competente com o software de notas. Como leitor de ebooks, o ecrã mate ajuda, embora continues a ter retroiluminação típica de LCD.

O corpo em alumínio tem dimensões muito próximas de um Kindle Scribe de 11 polegadas, com 5 mm de espessura e cerca de 500 gramas. Sólido, bem construído, dentro do que se espera nesta gama de preço. Depois aparecem as decisões estranhas: a capa teclado é volumosa e mais atrapalha do que ajuda, especialmente num dispositivo que se vende primeiro como bloco de notas. E a ausência de botões físicos de volume é daquelas manias de design que ninguém pediu e que só tornam tarefas básicas mais irritantes.

Há ainda um ponto que interessa a quem está na Europa: o preço de referência nos EUA ronda os 600 dólares, com promoções a 550 dólares, o que dá algo como 500€ a 550€ se chegar ao nosso mercado. A este valor, entra em choque direto com tablets Android decentes e até iPads recondicionados, que podem não ter ecrã mate mas oferecem ecossistema de apps bem mais polido. A TCL tem aqui um conceito interessante, mais maduro do que as primeiras tentativas Nxtpaper, mas continua a ser um produto para nicho: quem quer tudo no mesmo aparelho, aceita compromissos na escrita e está disposto a pagar por essa versatilidade.

Fonte: Wired

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0