Sony mata os discos da PlayStation a partir de 2028
Jogos novos passam a ser só digitais em janeiro de 2028. Para quem compra em segunda mão, empresta a amigos ou vive com internet mediana, isto não é só nostalgia, é perda real.
Jogos novos passam a ser só digitais em janeiro de 2028. Para quem compra em segunda mão, empresta a amigos ou vive com internet mediana, isto não é só nostalgia, é perda real.
A data está marcada: a partir de janeiro de 2028 deixam de existir novos jogos em disco para consolas PlayStation. Tudo o que sair depois disso será apenas em formato digital, comprado na PlayStation Store ou em lojas que vendam códigos. Os jogos lançados antes dessa data continuam, em teoria, a ter edições físicas.
Na comunicação oficial, a Sony vende isto como uma evolução lógica. Fala em “preferência geral por media digital” e em alinhar a estratégia com a forma como “a comunidade prefere aceder e jogar”. Não é mentira que o digital já domina as vendas, mas usar a maioria como justificação para apagar a minoria é uma escolha, não uma inevitabilidade técnica. Especialmente de uma empresa que ainda vende consolas com leitor de discos nas lojas portuguesas.
O anúncio não cai do nada. O timing segue o precedente ruidoso de GTA VI chegar a 80 dólares e a caixa nem trazer disco lá dentro, apenas com um código lá metido. A mensagem para o mercado é clara: a caixa física é agora mero merchandising, não um suporte útil. O disco, que antes era uma espécie de seguro mínimo de acesso ao jogo, passa a ser um detalhe dispensável.
Para o jogador em Portugal isto mexe em três frentes. Primeiro, desaparece o valor de revenda e de compra em segunda mão, que em lojas como a Worten ou a Game ainda faz girar muita prateleira de PlayStation 4 e 5. Segundo, torna-se mais difícil emprestar jogos a amigos ou levar um disco para casa de alguém. Tudo fica preso a contas, licenças e servidores. Terceiro, quem vive fora dos grandes centros, com internet fraca ou tarifários móveis apertados, vai sentir o peso de fazer download de dezenas de gigabytes por jogo.
Há ainda o lado menos glamoroso que quase ninguém em marketing menciona: preservação. Dependência total de servidores e de uma conta ativa significa que um encerramento de loja, uma retirada de licença musical ou um litígio qualquer podem matar um jogo comprado de forma “definitiva”. Sem discos, perdes o único suporte que ainda tinha alguma hipótese de sobreviver a mudanças contratuais e a fim de serviços. A própria história recente da Sony e de outras plataformas mostra que nada digital está garantido a longo prazo.
A decisão encaixa num padrão mais largo de controlo sobre o acesso, que vai do streaming de filmes aos livros digitais. O físico não desaparece por ser tecnicamente impossível, desaparece porque complica margens, descontos agressivos e gestão centralizada. Os próximos anos vão ser simpáticos em promoções na PS Store, para adoçar a transição. Depois de 2028, quem quiser continuar a jogar em disco terá de se agarrar ao catálogo antigo, às consolas que já existem e, inevitavelmente, a um mercado paralelo que a própria indústria ajudou a empurrar para a margem.
Fonte: The Verge
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