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Fable 5 consegue portar Command & Conquer para o iPad

Designer do Google DeepMind pegou num clássico de 2003, pediu ajuda ao Claude Fable 5 e pôs Command & Conquer: Generals Zero Hour a correr nativamente em iOS e macOS.

Fable 5 consegue portar Command & Conquer para o iPad
  1. Enquanto políticos discutem moratórias à IA generativa, há quem use o mesmo tipo de modelo para algo bem mais concreto: pôr um clássico de 2003 a correr num iPhone. Ammaar Reshi, product & design lead da Google DeepMind, usou o modelo Claude Fable 5 da Anthropic para portar Command & Conquer: Generals Zero Hour para iOS e macOS, sem emuladores nem truques manhosos, só código nativo para ARM64.

O projecto foi revelado por Reshi no X e apanhado pelo Digital Trends. A ideia não é nova, mas a forma como foi feita diz muito sobre o estado actual da IA aplicada a programação: em vez de escrever, compilar, falhar e iterar sozinho, Reshi usou o Claude Fable 5 como parceiro de engenharia, a ajudar a destrinçar um motor de jogo com mais de 20 anos e a adaptá-lo ao mundo Apple actual, de iPhones e iPads a Mac com Apple Silicon. Isto não é streaming remoto nem emulação pesada, é o motor do jogo compilado para ARM64, a correr directamente no hardware.

Para quem segue a novela em torno do Claude Fable 5, com desligar de emergência nos EUA e reaberturas faseadas, esta é a outra metade da história: quando está acessível, o modelo é suficientemente competente para pegar num código legado complexo e ajudar a reescrevê-lo para uma arquitectura moderna. Já tínhamos olhado para o tema quando a Anthropic voltou a abrir o Claude Fable 5 ao mundo, mas aqui a demonstração é prática e fala a linguagem que muitos leitores percebem melhor: jogos.

O melhor é que Reshi não guardou o brinquedo para si. O código, ficheiros e instruções estão públicos no GitHub, no repositório Generals-Mac-iOS-iPad. Se tiveres uma cópia legítima do jogo original, podes tentar pôr o motor a correr no teu Mac ou dispositivo iOS. Não é um click-and-play para o utilizador comum, mas para quem já mexe em Xcode e não tem medo de compilar, é um fim-de-semana bem passado. E sim, a zona cinzenta legal de ports não oficiais continua a existir, por isso convém não esquecer que a Electronic Arts ainda detém os direitos.

Para Portugal, há aqui duas leituras. A óbvia: se és fã de Command & Conquer, isto é uma forma de manter vivo um RTS clássico em hardware moderno, sem depender de remasters oficiais que nunca chegam. A menos óbvia: esta história é um caso de uso concreto de IA como ferramenta de manutenção de software legado, algo que bancos, seguradoras e metade da administração pública europeia precisa desesperadamente, mesmo que não o admita em público. Se um modelo ajuda a destrinçar o motor de um jogo de 2003, também ajuda a perceber um monólito em COBOL.

O mais irónico é que uma das IAs mais polémicas do momento está, lado a lado, a ser usada para robôs autónomos e para pôr tanques virtuais a disparar em ecrãs tácteis. O impacto sério está na forma como estes modelos começam a reduzir o custo de mexer em software velho que toda a gente tem medo de tocar. O facto de, pelo caminho, ressuscitarem um clássico de estratégia em tempo real num iPhone é só o detalhe que nos faz prestar atenção.

Fonte: XDA Developers

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