Samsung prepara óculos inteligentes com ecrã a cores embutido
A marca quer responder aos Ray‑Ban da Meta, mas com ecrã em ambos os olhos e integração profunda com o universo Galaxy. A questão é simples: vai ser útil ou só ruído visual.
A marca quer responder aos Ray‑Ban da Meta, mas com ecrã em ambos os olhos e integração profunda com o universo Galaxy. A questão é simples: vai ser útil ou só ruído visual.
A Samsung ainda nem lançou a sua resposta às óculos de IA da Meta sem ecrã e já está a olhar para o passo seguinte: umas smart glasses com ecrã embutido, mais próximas dos Meta Ray‑Ban Display do que de uns simples óculos com assistente de voz. A pista vem do site sul-coreano The Elec, que fala num novo módulo de ecrã especificamente pensado para óculos.
Segundo esse relato, a Samsung anda a testar vários tipos de tecnologia de ecrã, mas a preferência está num painel a cores, ao contrário de propostas como os Even Realities Even G2 que apostam num verde monocromático para poupar consumo e manter tudo mais discreto. É um detalhe técnico, mas diz muito sobre a ambição: isto não é só legendas flutuantes, é uma tentativa de tornar notificações e navegação mais apelativas, quase “bonitas”.
O que mais salta à vista é a ideia de tornar o ecrã “binocular”, ou seja, visível nos dois olhos. Aqui a Samsung afasta-se dos Meta Ray‑Ban Display, que usam um pequeno painel de 600 x 600 píxeis encostado ao lado da lente direita, a funcionar como um mini heads‑up display de texto, setas de navegação e um enquadrador para fotos e vídeo. Passar de um canto discreto para o centro do campo de visão é outra conversa. Para quem já acha o HUD da Meta distrativo, um overlay permanente à frente dos dois olhos pode ser mais pesadelo ergonómico do que futuro da computação.
Ainda assim, não estamos a falar de óculos de realidade aumentada “à séria” como os Xreal ou RayNeo, que projectam vídeo de alta resolução. Os rumores indicam um ecrã a cores mas modesto, focado em notificações, pequenos trechos de texto, widgets básicos e controlos rápidos. Em termos de função, fica bem mais perto dos Meta Ray‑Ban Display do que de um visor AR para ver filmes. O objectivo parece ser aquela informação de um olhar: mensagens, e‑mails, indicações curva‑a‑curva, status do telemóvel.
Onde a Samsung pode realmente diferenciar-se não é no vidro, é no software. Um par de óculos com ecrã que fale fluentemente com um Galaxy, um Galaxy Watch e o resto do ecossistema da marca é muito mais interessante do que outro gadget isolado. Responder notificações com gestos, ver o caminho do Google Maps ou do Waze à frente dos olhos, controlar música sem tocar no telemóvel, tudo isto encaixa de forma óbvia na estratégia que já juntou dobráveis, relógios e auscultadores. O problema é o de sempre: conforto, bateria e privacidade, especialmente numa Europa que olha com lupa para câmaras e captação de dados em espaço público.
Por agora não há protótipo à vista nem datas para lançamento europeu, apenas peças de cadeia de fornecimento a mexer-se na Coreia. Mas a direcção é clara: Meta, Samsung e companhia estão a tentar transformar óculos em ecrãs vestíveis antes de resolverem se alguém quer mesmo viver com notificações literais à frente dos olhos. O hardware está a chegar, a pergunta é se o mundo está minimamente preparado para usá‑lo fora de uma conferência de tecnologia.
Fonte: Gizmodo
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