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Samsung Galaxy Z Fold 8: dobrável largo que quer ser o padrão

A Samsung alarga o Fold, corta uma câmara e insiste que este é o formato certo para dobráveis. Convence em uso diário, mas o preço continua em modo luxo experimental.

Samsung Galaxy Z Fold 8: dobrável largo que quer ser o padrão

O novo Galaxy Z Fold 8 não tenta ser um telemóvel normal que por acaso dobra. A Samsung assumiu o contrário: isto é um mini-tablet que por acaso também cabe no bolso. O resultado é um dobrável mais baixo e mais largo, com capa de 5,5 polegadas em formato 10:16, quase do tamanho de um passaporte, e um ecrã interior de 7,6 polegadas em 4:3, muito próximo de um iPad. Estranho à primeira vista, surpreendentemente lógico passado dois dias.

Esta mudança encaixa na narrativa que a Samsung montou desde o Unpacked deste ano: o Fold é a máquina de produtividade e consumo de multimédia, o Flip é o telemóvel mais leve e fashion. Em uso real, o novo formato ajuda. A capa é finalmente utilizável sem malabarismos nos polegares, escrever mensagens ou responder a emails deixa de ser castigo, e o 4:3 lá dentro é muito melhor para ler, trabalhar em split-screen e ver vídeo sem barras gigantes. Pela primeira vez, é um Fold que apetece usar dobrado e aberto em igual medida.

Há compromissos. O mais óbvio é fotográfico: a Samsung passou de três câmaras traseiras para duas. Não há telefoto neste Fold de ~1.750€ (US$1.899), o que soa ridículo quando gama média Android a rondar os 600€ já traz zoom óptico decente. A marca parece confiar que quem compra o Fold não o faz pela câmara, mas a verdade é que, a este preço, tudo devia ser topo de gama. O resto do hardware é sólido: chip rápido, boa RAM, armazenamento generoso, e sobretudo uma bateria que aguenta um dia inteiro de uso misto com folga.

Do lado da robustez, continuamos a viver no quase. A dobradiça está melhor, o vinco continua visível mas menos intrusivo, e o conjunto é o Fold mais leve até agora. Ainda assim, nada de certificação IP68: há resistência a salpicos, mas não é um telemóvel que metas na piscina descansado. Para um produto que já vai na oitava geração nominal, a mensagem é clara, mesmo que a Samsung não o diga: dobráveis continuam a ser categoria premium em beta prolongada.

O software está a meio caminho entre brilhante e frustrante. A área de trabalho em modo tablet, a dock persistente e o arrastar de janelas tornam o multitasking convincente. Mas nem todas as apps respeitam a capa curta, há layouts quebrados aqui e ali, e em Portugal continuas dependente da boa vontade de bancos, serviços públicos e apps locais para suportarem formatos menos ortodoxos. E não é por falta de aviso: quando até rumores indicam que a Apple prepara um dobrável mais baixo e largo, esta geometria vai deixar de ser excentricidade da Samsung.

No contexto europeu, o Fold 8 continua a ser um produto de nicho. Caro, de difícil reparação, dependente de um trade-in generoso ou de contratos longos com NOS, MEO ou Vodafone para fazer sentido. Mas pela primeira vez, o formato parece acertado. O que está em teste já não é a ergonomia, é o modelo de negócio: até que ponto faz sentido pagar preço de portátil premium por algo que ainda pede tanto cuidado. Para quem quer viver no limite da forma como um telemóvel pode ser, o Z Fold 8 é o primeiro dobrável da Samsung que parece menos protótipo e mais ponto de chegada, mesmo que a conta continue em modo futuro antecipado.

Fonte: The Verge

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