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Samsung Unpacked 2026: três dobráveis, dois relógios e uns óculos à espreita

A Samsung abriu a temporada de outono mais cedo com três Galaxy Z novos, dois Galaxy Watch e um teaser sério para óculos inteligentes. Tudo mais fino e mais caro, com Qi2 ainda pela metade.

Samsung Unpacked 2026: três dobráveis, dois relógios e uns óculos à espreita

A Samsung decidiu antecipar outra vez a época forte de hardware. No Unpacked de julho, alinhou três dobráveis, dois relógios e voltou a piscar o olho a óculos inteligentes. O pacote é ambicioso, mas vem com a clássica subida de preços e algumas escolhas estranhas para 2026.

No topo está o Galaxy Z Fold 8 Ultra, que abre a grelha com um preço inicial de $2.100, algo como ~1.930€ sem impostos ou margens locais. É mais 100$ que o Fold 7 de há um ano. Em troca, tens um painel exterior de 6,5 polegadas FHD+ Dynamic AMOLED 2x e um interior de 8 polegadas QXGA+ também a 120 Hz adaptativos. A câmara principal salta para 200 MP, acompanhada de ultra grande-angular de 50 MP e teleobjetiva de 10 MP. O chip é comum a toda a linha: Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, com 12 GB de RAM e 256 ou 512 GB de armazenamento de base, e opção de 16 GB de RAM com 1 TB nos dois Fold 8.

O Z Fold 8 e o Z Flip 8 partilham a mesma plataforma e especificações básicas de memória, apostando mais na forma que no choque de ficha técnica. A Samsung trocou discurso sobre “design premium” por algo um pouco mais concreto: Flex Titanium, uma camada de liga de titânio por baixo do OLED flexível. Na teoria, aumenta a rigidez, absorve impactos e reduz o vinco no meio do ecrã. Na prática, é o tipo de melhoria que só se sente ao fim de meses no bolso, não num hands-on de dez minutos. Pelo menos, os três modelos prometem ser mais finos e leves, a tal “geração de maturidade” dos dobráveis.

Depois há a parte que não bate certo em 2026: nenhum destes topos de gama suporta Qi2 de origem. A norma já chegou a outros topos de gama Android e até a Samsung se gabou de um Galaxy S25 “Qi2-ready”. Mas aqui ficas dependente de capas com ímanes para tirar partido a sério de carregadores Qi2. É um compromisso difícil de engolir quando se passa a barreira dos 2.000€ num telemóvel, sobretudo num mercado europeu que está a apertar mais as regras sobre interoperabilidade e carregamento, no mesmo espírito de leis como o DMA que já está a mexer na estratégia móvel da Apple e da Google.

Nos relógios, a marca apresentou o Galaxy Watch 9 e o Galaxy Watch Ultra 2. Ambos usam o novo Snapdragon Wear Elite, um chip de 3 nm com NPU Hexagon dedicada a modelos de IA até dois mil milhões de parâmetros. Tradução: mais processamento em relógio, menos dependência constante da cloud para previsões de saúde, sugestões de treino ou assistentes “inteligentes”. É a mesma corrida à IA que vemos no resto do setor, mas comprimida num chassis de pulso que supostamente também tem de durar um dia inteiro de bateria. A Samsung fala em relógios mais finos, mas não detalha aqui autonomias, que é o número que interessa a quem corre, dorme e trabalha com o mesmo wearable.

Em paralelo, a marca voltou a mostrar os óculos inteligentes feitos com a Google, Warby Parker e Gentle Monster. Dois modelos, sem preço nem data para a Europa, apenas a promessa vaga de “ainda este ano”. O que há de concreto: novos designs mais perto de óculos normais, bateria anunciada para até nove horas e estojo com sete cargas extra, mais um Snapdragon AR1 Gen 1 a comandar a parte XR. Isto chega num momento em que a Google tenta redefinir a sua presença em realidade mista e a Samsung quer encaixar estes óculos no tal “universo Galaxy”. Para já, parecem mais um ensaio caro do que um produto pensado para quem compra em euros numa Worten ou FNAC, mas a ambição está lá. As pré-encomendas dos telemóveis e relógios já abriram, com chegada às lojas a 7 de agosto, embora a Samsung ainda não tenha detalhado preços europeus. Quando chegarem a Portugal, o choque na carteira vai ser tão real como o vinco no ecrã.

Fonte: Engadget

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