CIêNCIA

Samsung cria divisão de robótica para apostar na IA física

A gigante coreana junta todos os projectos de robôs numa única divisão RX e prepara fábricas para humanoides. Isto já não é só futurismo de keynote.

Samsung cria divisão de robótica para apostar na IA física

A Samsung decidiu que os robôs já são assunto demasiado sério para viverem espalhados pela empresa. Criou a divisão RX, de Robotics eXperience, que passa a concentrar toda a estratégia de robótica do grupo, com base em Seul e com o próprio CEO TM Roh a supervisionar o projecto.

À frente da estratégia da RX fica Dongkun Lee, que chegou à Samsung em maio como vice-presidente executivo. O nome não é qualquer um: foi ele quem desenhou a estratégia de robótica da Hyundai, incluindo o período em que o grupo coreano assumiu o controlo da Boston Dynamics, uma das referências mundiais em robôs de locomoção e humanoides. A Samsung não vai começar do zero, está claramente a contratar atalho.

Segundo a Reuters, a RX terá centros de investigação também nos Estados Unidos, China e Japão, para capturar talento local e estar mais perto de mercados-chave. A jogada encaixa na corrida da indústria à chamada “IA física”, a tentativa de levar os avanços de inteligência artificial dos modelos de linguagem para máquinas que interagem com o mundo real. Não é coincidência ver Hyundai a comprar a totalidade da Boston Dynamics ou ver empresas como a Agility a montar verdadeiros quartéis de treino para humanoides ao lado das fábricas de carros eléctricos.

Neste contexto, a Samsung parece ambicionar algo mais do que aspiradores com Wi-Fi. De acordo com o jornal Korea JoongAng Daily, a empresa quer começar a fabricar robôs humanoides ainda este ano, numa nova aposta industrial no complexo de Gumi, na Coreia do Sul. TM Roh já tinha anunciado um investimento de 19 biliões de won coreanos, cerca de 13 mil milhões de dólares, para montar capacidade de produção dedicada a estes robôs. Não é orçamento de laboratório, é escala de fábrica de telemóveis.

A movimentação também responde a uma pressão menos óbvia: a de não ficar para trás num segmento que mistura hardware, IA e serviços, onde a Samsung não tem dominado a conversa. Enquanto a Alphabet optou por encaixar uma das suas empresas de robótica industrial dentro da Google e a OpenAI anda a testar dispositivos que funcionem como “corpo” para o ChatGPT, começando alegadamente por uma coluna inteligente, a Samsung faz o que sabe melhor: criar uma linha de produto com fábrica associada.

Para Portugal, isto ainda não significa datas ou modelos concretos a chegar às lojas, mas dá uma pista sobre o mundo em que o próximo frigorífico “smart” da marca pode coexistir com um humanoide que anda pelos corredores de Gumi. A diferença é que, desta vez, o objectivo não é só pôr um ecrã em tudo, é pôr pernas na IA. E isso exige outro tipo de responsabilidade do que lançar mais um gadget de cozinha.

Fonte: Engadget

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