RugOne Xsnap 7 Pro: o telemóvel que traz a GoPro colada
A sub-marca da Ulefone apareceu na IFA com um conceito raro: um Android robusto com câmara destacável tipo action cam. Ideia engenhosa, execução com alguns compromissos.
A sub-marca da Ulefone apareceu na IFA com um conceito raro: um Android robusto com câmara destacável tipo action cam. Ideia engenhosa, execução com alguns compromissos.
Enquanto meia indústria anda obcecada em enfiar mais sensores no módulo traseiro, a RugOne decidiu simplesmente deixar a câmara sair do telemóvel. O Xsnap 7 Pro, mostrado na IFA 2026, é um Android blindado que esconde uma pequena câmara de ação magnética, destacável, que lembra bastante uma GoPro miniaturizada.
A peça encaixa na traseira via ímanes e um bloqueio físico extra, para não voar ao primeiro tombo num trilho molhado. O resultado é robusto, mas nada elegante de usar: o próprio jornalista da Android Authority admitiu que, com unhas compridas, quase não conseguia ganhar alavanca para a libertar. Ou seja, a mesma solução que te salva de partir a câmara à primeira queda torna o destaque menos prático no dia a dia.
Tirada do corpo do telemóvel, a câmara ganha graça. Grava até 2,8K a 30 fps, ou 1440p a 50 fps, suporta vídeo vertical e horizontal, tem 64 GB internos, aguenta cerca de 40 minutos de gravação e sobrevive mergulhos até 5 metros. Liga-se ao Xsnap 7 Pro por Wi-Fi 6, com alcance anunciado até 50 metros, e carrega sempre que volta ao encaixe, demorando cerca de 35 minutos a recuperar carga total. Há aqui mais pensamento de gadget autónomo do que naquele habitual “modo ação” enfiado na app de câmara de um topo de gama.
O que torna o conjunto mais interessante é a app XSnap Pro. A partir do telemóvel, vês em direto o que a câmara está a filmar, controlas a gravação tanto no módulo como no próprio Xsnap e acedes logo aos ficheiros, sem cartões nem cabos. Isto permite cenários que os telemóveis normais não cobrem bem: um prende a câmara a um capacete, o outro fica com o telefone a monitorizar o enquadramento; ou deixas a câmara numa posição pouco acessível, mas continuas a controlar tudo do bolso. A chave aqui é psicológica: não tens de tratar o módulo como “outro dispositivo” a gerir, é literalmente uma extensão do telefone.
Claro que o telefone não vive só da party trick. O RugOne Xsnap 7 Pro traz um Dimensity 8400, 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento com expansão, eSIM, e um ecrã de 6,67 polegadas a 120 Hz. Atrás, além da câmara principal de 50 MP com OIS, há uma câmara infravermelha de 64 MP com LEDs IR dedicados, a gritar usos profissionais ou de segurança. A certificação IP69K aponta na mesma direção: isto não é para ficar em cima da mesa da sala, é para levar pancada séria, numa liga parecida com os telefones robustos que raramente vemos nas montras da Worten ou da FNAC, ao contrário de propostas mais estéticas como o Tecno Bezelless quase sem molduras.
A dúvida óbvia é se isto substitui uma action cam dedicada. O próprio hands-on é cauteloso: em pouco tempo de teste não convence totalmente como “mata-GoPro”. A autonomia de 40 minutos é curta para desportos prolongados, e a ergonomia de encaixar e desencaixar a câmara não parece pensada para estar sempre a rodar entre modos. Mas como conceito de telemóvel robusto com truque útil, e não apenas mais um bloco pesado, o Xsnap 7 Pro acerta mais do que falha. Vai entrar em campanha de crowdfunding no Kickstarter a 7 de setembro, com desconto para early birds, e deverá chegar globalmente no próximo mês por 1.099€. Se chegar oficialmente a Portugal, não vai concorrer com os Android “normais”. Vai falar directamente para aquele nicho que hoje anda com um tijolo no bolso e uma GoPro na cabeça… e que pode gostar de fundir as duas coisas num só tijolo inteligente.
Fonte: Android Authority
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