Placas-mãe de PCs podem ficar bem mais caras já este ano
Relatórios da cadeia de produção apontam para subidas de preço em motherboards ASUS, Gigabyte e MSI, empurradas pela febre da IA e pela guerra no Médio Oriente.
Relatórios da cadeia de produção apontam para subidas de preço em motherboards ASUS, Gigabyte e MSI, empurradas pela febre da IA e pela guerra no Médio Oriente.
Depois da escalada nos preços da RAM e dos SSD, a próxima peça do puzzle PC a sofrer pode ser a menos glamorosa mas mais crítica: a motherboard. Um relatório da cadeia de produção chinesa, ecoado por sites como VideoCardz, Guru3D e Digital Foundry, aponta para aumentos relevantes nos próximos meses em placas de marcas como ASUS, Gigabyte e MSI.
A origem do burburinho é um post no fórum chinês Boards Channels, que entretanto desapareceu, mas ficou registado em capturas de ecrã. A nota alegava que os fabricantes taiwaneses se preparam para refletir custos de materiais que podem ter subido até 50 %. É sempre bom ter alguma desconfiança com leaks que evaporam, mas desta vez os especialistas ouvidos pela CNET não soam nada surpreendidos. Pelo contrário, tratam o cenário quase como inevitável.
A explicação é conhecida de quem anda a seguir a febre da IA. Data centers estão a comprar memória e armazenamento como se não houvesse amanhã, o que esgota oferta e puxa os preços para cima. A isso soma-se falta de cobre e de certos químicos produzidos em zonas do Médio Oriente afetadas pela guerra no Irão. Cassandra Cummings, CEO da Thomas Instrumentation Inc., resume bem: não se fazem motherboards sem chips de memória nem sem cobre, por isso o preço-base acompanha o caos nesses mercados.
Para quem monta PCs em casa em Portugal, isto vem em cima de outro mau sinal: fabricantes grandes como Dell e Apple conseguem negociar volumes, reservar capacidade e até fazer algum stockpiling de componentes. Ou seja, o impacto direto tende a ser maior para o entusiasta que compra uma motherboard isolada na Worten ou na Amazon, do que para quem compra um desktop pré-montado. Já tínhamos visto a mesma assimetria quando a AMD começou a apontar para um aumento global nos preços das placas gráficas e memória, empurrado também pela IA.
Joshua Goshorn, da Quandary Peak Research, considera o relatório credível, mas espera aumentos mais contidos do que os vistos na RAM ou nos discos. Ainda assim, “contenção” em cima de preços que já subiram não é propriamente música para os ouvidos de quem anda a planear um upgrade AM5 ou LGA1700. E convém lembrar que as motherboards modernas já trazem sobrecustos próprios: fases de alimentação mais robustas para CPUs esfomeados, PCIe 5.0, Wi-Fi 7, RGB a rodos. A margem para o segmento “barato mas decente” encolhe cada vez mais.
Para o mercado português, que depende fortemente de importação e tem pouca escala para negociar, a leitura é simples: se estás mesmo a planear montar ou renovar PC nos próximos meses, faz as contas para “mais cedo” em vez de “quando houver promoções”. Pode não haver promoções dignas desse nome se os custos de material continuarem a subir. E se a lógica da IA continuar a contaminar o resto do hardware, como já vimos no plano da AMD para subir preços de gráficas e memória, o PC de secretária volta a ser menos o brinquedo acessível de outrora e mais um luxo cuidadosamente calendarizado.
Fonte: CNET
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