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AMD prepara aumento global nos preços das placas gráficas e memória

Depois da Nvidia, a AMD avisa parceiros de subidas de pelo menos 10% em GPUs e memória. A febre da IA continua a apertar o pescoço ao gaming de PC.

AMD prepara aumento global nos preços das placas gráficas e memória

A AMD vai seguir o caminho da Nvidia e aumentar os preços das suas placas gráficas e módulos de memória, com subidas de pelo menos 10% já a partir de agosto. A informação vem do analista Harukaze5719, conhecido por seguir de perto a cadeia de fornecimento, e foi destacada pelo PC Gamer. Segundo a mesma fonte, os parceiros de fabrico já foram notificados.

Há um detalhe que diz muito sobre o estado do mercado: a AMD terá esperado que a Nvidia mexesse primeiro, para não arriscar perder quota num segmento de consumo já frágil. Em bom português, ninguém quer ser o primeiro vilão. A Nvidia prepara aumentos entre 20% e 30% em GPUs e componentes associados, algo que já detalhámos quando explicámos como a febre da IA generativa está a distorcer o preço das gráficas. Agora, a AMD alinha o “posicionamento de preço” com a rival.

A justificação volta a ser a mesma: datacenters de IA compram tudo o que mexe, pagam bem e garantem contratos longos. Para um fornecedor de chips, é difícil dizer que não a margens gordas quando o mercado de consumo está em “fraca recuperação”, com inventário ainda por escoar e utilizadores cada vez mais sensíveis ao preço, como sublinha a análise de Harukaze5719. Na prática, o gaming de PC está a subsidiar a corrida ao ouro da IA, e o jogador comum leva com a factura.

Para Portugal e resto da Europa, isto traduz-se em pré-builts e upgrades de PC cada vez menos racionais. Se uma placa média subir 10% a 20%, falamos facilmente de mais 50€ a 150€ no carrinho de compras, dependendo do segmento. Junta-lhe memória mais cara, CPUs que também não andam propriamente a descer, e o resultado é simples: montar um PC “decente” para 1080p ou 1440p volta a ser um luxo, não um hobby acessível.

O impacto não fica no PC. Consolas também dependem de memória e chips produzidos nos mesmos nós avançados. Já vimos a Microsoft aumentar os preços das consolas na Europa, com impacto claro em Portugal, algo que detalhámos quando a Xbox decidiu morder forte na carteira dos jogadores portugueses. Nintendo, Sony e Microsoft já quebraram o “tabu” histórico de só baixar preços após o lançamento. Com custos de componentes a subir, a fasquia psicológica dos 1.000€ para a próxima geração deixa de ser ficção.

Há forma de escapar? A curto prazo, pouco mais do que adiar upgrades, olhar com atenção para o mercado de usados e não cair em promoções de “gaming” que empurram hardware claramente sobrevalorizado. O ciclo é conhecido: fabricantes cedem primeiro aos grandes contratos de IA, o consumo aguenta os restos mais caros, e só quando a maré estabilizar é que veremos algum alívio. Até lá, quem compra GPU ou consola em 2026 está, na prática, a pagar imposto IA.

Fonte: Eurogamer

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