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Phantom Drive: a pen USB que esconde o que interessa

Uma pen USB open source finge ter só 8 GB, mas guarda um volume cifrado invisível até criares o ficheiro certo. Segurança por engenharia, não por magia.

Phantom Drive: a pen USB que esconde o que interessa

À primeira vista é só mais uma pen USB barata de 8 GB. Depois percebes que, por trás da partição de fachada, vive um volume cifrado que o sistema operativo nem sonha que existe. A Phantom Drive, da Rootkit Labs, não é um truque de software, é hardware e firmware pensados de raiz para esconder dados em pleno 2026, num mundo em que as pens de “segurança” comerciais continuam opacas e fechadas.

O conceito é simples, a execução não. Quando ligas a Phantom Drive ao computador, aparece uma partição normal de 8 GB, o tal isco. A zona realmente importante só é desbloqueada se o microcontrolador detectar, no tráfego USB, a criação de um ficheiro de texto com o formato de palavra-passe correcto. Não há app dedicada, não há UI especial, só o sistema de ficheiros habitual. Do lado de fora, é indistinguível de uma pen vulgar, o que é precisamente o ponto.

O truque vive no CH569, um microcontrolador com USB 3, suporte SD/eMMC e módulo de cifragem AES em hardware. Em vez de NAND soldada na placa, a placa de circuito impresso usa um cartão microSD fornecido pelo utilizador, onde coabitam a partição de 8 GB e a partição escondida. A firmware personalizada intercepta os pacotes brutos no bus USB, procura a tal string de desbloqueio e, quando a encontra, guarda a password em SRAM, apaga com zeros o pacote original e só depois escreve no cartão. A chave de cifragem é derivada da password e do ID de hardware do microcontrolador com PBKDF2-HMAC-SHA-256, uma receita bastante sólida para este tipo de projecto.

Há aqui uma decisão importante de segurança física: a chave fica amarrada ao identificador do microcontrolador. Retirares o cartão microSD e meteres noutra Phantom Drive não desbloqueia nada, e espetar o cartão directamente num leitor SD também não. É uma forma eficaz de desencorajar ataques de “vou só clonar o cartão e logo vejo”. Do ponto de vista de quem se preocupa com firmwares obscuros e possíveis backdoors em dispositivos de rede ou armazenamento, como já se viu em mais do que um caso de routers com firmware suspeito, o facto de este projecto ser open source conta bastante.

Nem tudo são rosas. Apesar do controlador suportar USB 3, o projecto está limitado por uma interface USB 2, com velocidades alegadas de 20 MB/s em leitura e 9 MB/s em escrita em AES-CTR, ou 10 MB/s e 6 MB/s em AES-XTS. Para backup massivo não é brilhante, para um cofre portátil de documentos sensíveis chega. O firmware consegue ainda imitar IDs de fabricantes específicos, fazendo a pen parecer, aos olhos do sistema, uma unidade USB de outra marca. Mais uma camada de camuflagem, que tanto pode confundir um atacante como levantar sobrancelhas em ambientes mais paranoicos.

A parte interessante é que a Phantom Drive não fica presa a um produto comercial: há unidades pré-montadas, mas também podes construir a tua. O repositório inclui esquemas, ficheiros de PCB, lista de componentes, firmware e ferramentas, incluindo software de recuperação para Linux. Não é um brinquedo plug-and-play para qualquer pessoa, é um projecto para quem não confia em caixas pretas e prefere ver, compilar e, se quiser, auditar o código que protege os seus dados. Num mercado inundado de pens “seguras” proprietárias, uma solução aberta, auditável e deliberadamente aborrecida à vista pode ser, ironicamente, a forma mais sensata de esconder o que importa.

Fonte: Open Source For You

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