IA

Perplexity leva o seu agente de IA directamente ao Windows

O Personal Computer da Perplexity chega ao Windows e promete um “trabalhador digital” a mexer em ficheiros locais, Office 365 e web. Mas por 200 dólares por mês, não é para qualquer PME.

Perplexity leva o seu agente de IA directamente ao Windows

Enquanto a Microsoft tenta enfiar o Copilot em tudo o que mexe no Windows, a Perplexity escolheu outra rota: transformar o teu PC num assistente que faz o trabalho por ti, em vez de só responder a perguntas. O Personal Computer da Perplexity, que já existia para macOS, está agora a chegar ao Windows como um “trabalhador digital” que corre localmente e mexe em ficheiros, aplicações e web a partir do mesmo sítio.

Na prática, a promessa é simples, mesmo que a implementação não seja: dizes ao agente para criar um documento, actualizar uma folha de cálculo, compilar informação da internet e do SharePoint, ou vasculhar pastas locais, e ele trata de orquestrar tudo dentro do ambiente Windows. A Perplexity já tinha integração com o Microsoft 365 e com o Teams, mas isto vai um passo além, porque vive mesmo no sistema operativo em vez de ficar preso a uma aplicação web ou a um plug-in simpático.

Para empresas que ainda vivem em pastas partilhadas, ficheiros no ambiente de trabalho e uma mistura alegre de Word, Excel e PDFs perdidos, isto é precisamente o sítio onde a IA não costuma chegar. A Perplexity sublinha isso no comunicado: muito do trabalho real acontece em máquinas locais, “fora do alcance da IA”. O Personal Computer tenta fechar esse buraco, com acesso tanto ao Office 365 como a ficheiros no disco, sem precisar de despejar tudo num servidor externo só para o agente perceber o que se passa.

Há, claro, a questão sensível dos dados. A empresa diz que o Personal Computer para Windows não treina nos dados da organização e que avisa sempre antes de acções delicadas como enviar emails ou apagar ficheiros. É o mínimo aceitável num contexto em que cada nova ferramenta de IA corporativa levanta as mesmas dúvidas de confidencialidade. Num mercado onde gigantes como a Microsoft, a Amazon ou as alianças recentes entre Nvidia, Microsoft e SpaceX se posicionam como guardiões de “IA segura”, o discurso da Perplexity tenta alinhar com esse padrão sem ter a mesma escala de escrutínio público.

Depois vem o preço, que é a parte menos automática desta história. O Personal Computer para Windows só está disponível para clientes Max e Enterprise Max, com subscrições a partir de 200 dólares por mês, cerca de 185€. Isto posiciona a ferramenta longe de freelancers, pequenas empresas portuguesas ou departamentos de TI com orçamento apertado. A Perplexity não está a vender um assistente para o teu portátil pessoal, está claramente a apontar para equipas que já pagam bem por licenças Microsoft 365 e que podem justificar mais uma linha robusta na folha de custos.

No meio da enxurrada de soluções de “IA para produtividade”, a distinção da Perplexity é a profundidade com que tenta entrar no sistema operativo em vez de ficar na camada do chat. Se vai ganhar espaço num Windows cada vez mais fechado sobre o Copilot é outra discussão. Por agora, o recado é claro: transformar o PC de trabalho num agente semi-autónomo deixou de ser teoria de slide para investidores e começou a ser um produto pago, caro, e muito focado em quem vive enterrado em ficheiros do Windows o dia inteiro.

Fonte: The Verge

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