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OpenAI rouba o chefe do Apple Vision Pro para liderar hardware

Paul Meade, vice-presidente responsável pelo Vision Pro e óculos inteligentes da Apple, sai para a OpenAI. Mais do que uma contratação, é Apple em versão paralela dentro de um laboratório de IA.

OpenAI rouba o chefe do Apple Vision Pro para liderar hardware

Quando um vice-presidente de hardware sai da Apple para um rival, em Cupertino acendem-se alarmes. Paul Meade, chefe de engenharia do Vision Pro e do programa de óculos inteligentes, está de saída para a OpenAI. É a deserção de mais alto nível na era pós-iPhone e empurra a guerra pelo talento em hardware de IA diretamente para a porta da Apple.

Meade não é um recém-chegado qualquer. Entrou na Apple em 2010, passou pela gestão de programa do iPad e do iPhone, e em 2017 mudou-se para o grupo de produtos de visão. Nos últimos sete anos foi uma das principais cabeças por trás do Vision Pro, o tal “computador espacial” que a Apple sonhava transformar no sucessor do smartphone. Agora, segundo a Bloomberg, sai já na próxima semana para integrar a unidade de hardware da OpenAI e trabalhar numa família de dispositivos com IA integrada.

O detalhe mais interessante não é a saída isolada, é o destino. Em San Francisco, Meade reencontra um pequeno consulado de Cupertino: Jony Ive, Tang Tan e Evans Hankey, antigos responsáveis máximos de design industrial e hardware na Apple. A sua startup foi comprada pela OpenAI por 6,5 mil milhões de dólares, e o que está a nascer ali é, na prática, uma liderança de hardware à Apple, mas ao serviço de um laboratório de IA. Ou seja, a OpenAI não está só a contratar engenheiros, está a reconstruir a sensibilidade de produto que fez o iPhone… fora da Apple.

Este movimento também encaixa na ofensiva mais ampla da OpenAI no lado físico da IA. Depois de se ter associado à Broadcom para criar o seu próprio chip de IA, falta a outra metade da equação: onde vive esse chip, como se segura na mão, como se põe na secretária. Meade é precisamente o tipo de perfil que transforma um conceito desenhado por Ive num objeto que sai de uma linha de produção e chega a uma FNAC.

Para a Apple, o problema é acumulativo. A OpenAI já tinha ido buscar outros engenheiros de hardware, a Meta pescou Alan Dye, o chefe de interface humana, e internamente Johny Srouji reestruturou a organização, empurrando alguns vice-presidentes, como Meade, um nível para baixo na hierarquia. Quando as pessoas que desenham o futuro se sentem discretamente despromovidas, não é chocante que atendam chamadas de Sam Altman.

Há ainda a questão do produto que Meade deixa para trás. O Vision Pro não se tornou o novo iPhone, vendeu pouco e a Apple tem vindo a afastar-se de capacetes fechados, com rumores de adiamentos e cortes em projetos de realidade mista. Meade troca um produto em recuo por uma folha (quase) em branco. Se o próximo grande objeto de computação for um híbrido entre wearable, assistente pessoal e óculos discretos, a Apple arrisca-se a ver esse futuro estrear-se primeiro no palco da OpenAI. E aí já não é só questão de talento, é de quem dita o formato do próximo ecrã que carregamos connosco.

Fonte: The Next Web

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