OpenAI esgota Mac minis para treinar agentes que usam o computador
Laboratórios de IA estão a montar fazendas de Mac para ensinar agentes a clicar, arrastar e preencher formulários como um humano. A Apple ganha, a Nvidia não perde o sono.
Laboratórios de IA estão a montar fazendas de Mac para ensinar agentes a clicar, arrastar e preencher formulários como um humano. A Apple ganha, a Nvidia não perde o sono.
Enquanto toda a gente olha para GPUs Nvidia e supercomputadores de milhares de milhões, a OpenAI anda a comprar algo bem mais banal: Mac minis. De acordo com o site The Information, OpenAI e outros laboratórios de IA terão adquirido dezenas de milhares de Mac minis e Mac Studios para treinar agentes de “uso de computador”, modelos que aprendem a executar tarefas passo a passo num ecrã como se fossem uma pessoa com rato e teclado.
A lógica é simples. Se queres um agente que abra o Excel, faça login num portal de finanças ou navegue num CRM manhoso, não basta despejar texto num modelo gigante em GPUs num centro de dados. É preciso simular um desktop real, com aplicações reais, latências reais e todos os pequenos erros que fazem parte de usar um computador. Para isso, máquinas completas, com CPU, GPU integrada, memória unificada e bom sistema de arrefecimento, começam a fazer mais sentido que mais uma placa H100 num bastidor.
Segundo a mesma investigação, a procura é tanta que os Mac mais potentes estão esgotados há meses, pressionados também por uma escassez de chips de memória. A Anthropic entrou no mesmo comboio, mas pela porta da cloud, alugando Mac minis através da AWS. Em paralelo, o Mac mini ganhou uma segunda vida como “estação local de IA” para developers e pequenos estúdios, alimentada pelo hype à volta de ferramentas como OpenClaw e por software open-source como Exo, que permite ligar vários Macs em cluster para correr modelos grandes em casa ou num pequeno escritório.
Há aqui um contraste interessante com a narrativa dominante dos centros de dados de IA que consomem cidades de energia e precisam de transformadores dedicados, tema que já analisámos em detalhe nos novos centros de dados de IA e no investimento europeu em máquinas como o LUMI-AI. Aqui, em vez de um monstro único, temos milhares de pequenas caixas da Apple empilhadas em racks, a fazer o trabalho sujo de clicar em botões virtuais durante horas.
A Nvidia não fica de fora desta história. O seu sistema DGX Spark oferece uma alternativa compacta, mas segue uma filosofia oposta: GPUs dedicadas com CUDA (Compute Unified Device Architecture) e Tensor Cores, em vez da memória unificada da Apple. É o velho debate entre uma máquina especializada de cálculo intensivo e um parque de computadores generalistas que se aproximam mais do ambiente em que o software vai realmente viver. Para treinar modelos gigantes de linguagem, os DGX continuam imbatíveis. Para ensinar um agente a lidar com janelas, menus e bugs de UI, um mar de Macs pode ser mais pragmático.
Entretanto, há quem tente transformar esta onda numa oferta comercial. Peter Voell, ex-equipa de infra-estrutura de computação da OpenAI, está a construir um serviço de cloud baseado em Apple chamado Mount Thor, assumindo que há mercado para clusters de Mac à medida. E há um beneficiário imediato de toda esta dança: a própria Apple, que viu as receitas de Mac subirem quase 29 por cento no trimestre de junho para 10,4 mil milhões de dólares, sem ter propriamente uma estratégia de IA clara em público. A ironia é óbvia: enquanto a Apple hesita no discurso sobre IA, os seus pequenos computadores já se tornaram peças discretas da corrida mundial aos agentes inteligentes.
Fonte: The Decoder
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