WEARABLES

Óculos INMO AIR3 recolhidos nos EUA por risco de queimadura grave

Regulador norte-americano ordena reparação urgente dos smart glasses de IA após relatos de sobreaquecimento e aviso de risco de lesão grave ou morte. O caso apanha uma categoria ainda frágil e em plena corrida ao mercado.

Óculos INMO AIR3 recolhidos nos EUA por risco de queimadura grave
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Os óculos inteligentes INMO AIR3 estão a ser recolhidos nos EUA depois de pelo menos dez relatos de sobreaquecimento. Segundo um aviso da Comissão de Segurança de Produtos de Consumo dos EUA (CPSC, em inglês), houve utilizadores a reportar sensação de queimadura na cara e na zona da orelha esquerda. A própria agência fala em risco de lesão grave ou morte, um nível de linguagem que raramente aparece associado a wearables.

De acordo com o comunicado da CPSC, citado pelo Gizmodo, quem tiver um par deve parar de usar os óculos imediatamente e contactar a INMO para uma reparação gratuita. A solução, por agora, é curiosamente prosaica para um problema descrito de forma tão dramática: a empresa vai ajudar os clientes a atualizar o sistema para a versão V3.16, um update de software que alegadamente resolve o perigo de queimadura. O aviso oficial da CPSC, disponível online, detalha o procedimento e o alcance da medida.

Os INMO AIR3 foram produzidos na China e vendidos em sites como Amazon, Inmoxr e Kickstarter entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. Custavam entre $900 e $1.300, algo entre ~830€ e ~1.200€, valores de topo para um gadget que continua longe do mainstream. Segundo a CPSC, foram vendidos cerca de 1.643 pares nos EUA e 120 no Canadá. Em termos absolutos é pouca coisa. Em termos de reputação de uma categoria ainda a tentar convencer o público, conta bastante.

A chamada “nova vaga” de smart glasses está precisamente na fase em que cada falha conta. De acordo com a consultora Omdia, citada pelo Gizmodo, foram enviados 4,2 milhões de óculos inteligentes a nível global no primeiro semestre deste ano, com cerca de 3,4 milhões a saírem da Meta. A marca de Zuckerberg tem puxado por este segmento, com anúncios como os Ray-Ban com IA que vimos na última Meta Connect e lançamentos recentes como os óculos de IA que parecem normais e até funcionam como aparelho auditivo. Quando um player mais pequeno como a INMO entra em modo recall por risco físico, ajuda pouco a narrativa de que isto são gadgets prontos para o dia a dia.

Até agora, os maiores debates em torno destes óculos tinham pouco a ver com segurança física e tudo a ver com privacidade. A imprensa norte-americana fala de “pervert glasses” para descrever o uso de smart glasses em gravações furtivas em espaços públicos, muitas vezes protagonizadas por influencers da chamada manosphere. Há vídeos virais de homens a filmar mulheres sem consentimento directamente dos óculos, num cruzamento perfeito entre tecnologia imatura e cultura online tóxica. Agora junta-se um risco mais básico: o de o hardware ser literalmente desconfortável ou perigoso de usar na cara.

Segundo o Gizmodo, este será o primeiro grande recall de óculos inteligentes nos EUA. Não será o último. Entre a pressa em ser “o próximo iPhone para IA” e um ambiente regulatório norte-americano mais permissivo, a tentação de atirar produtos meio cozidos para o mercado é grande. O episódio dos INMO AIR3 é um lembrete de que não basta pôr uma câmara e um modelo de IA numa armação para lhe chamar produto final. Óculos estão colados à pele, não são um portátil que se afasta da secretária quando algo aquece demais.

Fonte: Gizmodo

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