O overscan da era CRT ainda estraga a imagem da tua TV em 2026
Muitos televisores continuam a cortar parte da imagem de fontes HDMI por causa de uma opção pensada para TVs de tubo. Felizmente, há forma de a desligar em poucos minutos.
Muitos televisores continuam a cortar parte da imagem de fontes HDMI por causa de uma opção pensada para TVs de tubo. Felizmente, há forma de a desligar em poucos minutos.
Se a tua Apple TV, PS5 ou portátil parecem sempre “cortados” na televisão, não é imaginação. É o televisor a deitar fora uma moldura de pixéis que tu pagaste e a esticar o resto para encher o ecrã. O culpado tem nome antigo: overscan. Uma definição pensada para TVs de tubo que continuam a existir nos menus de imagem de praticamente todas as marcas em 2026.
Como explica o MakeUseOf, o overscan apareceu para tapar problemas muito físicos. Nas CRT, a imagem era desenhada por um feixe de electrões na parte de trás do vidro, e cada aparelho a colocava ligeiramente num sítio diferente. Variações na tensão da rede, defeitos de fábrica ou cenas muito brilhantes faziam a imagem encolher, crescer ou “inchar”. Para evitar barras pretas ou bordas tortas, a indústria decidiu jogar pelo seguro: as emissoras mantinham texto e acção em zonas “seguras” no centro, e os fabricantes deixavam a imagem sair para além da borda do tubo. O que passava dos limites ficava escondido.
Num painel LCD ou OLED nada disto acontece. Um painel 4K tem 3.840 por 2.160 pixéis no dia em que sai da caixa e os mesmos anos depois. A posição física da imagem não anda a flutuar. Ainda assim, o overscan sobreviveu, em parte porque alguns canais continuam a mandar lixo técnico nas margens do sinal. Resultado: muitos televisores activam-no por defeito em pelo menos uma das entradas HDMI, mesmo quando ligados a fontes perfeitamente limpas como consolas, boxes de streaming ou um PC.
O problema é que esse “corte” não é inocente. Sempre que o overscan está ligado, a TV corta alguns por cento da imagem à volta, depois volta a fazer scale para preencher o painel. Estás a perder nitidez, a forçar o processador interno a fazer trabalho desnecessário e, se jogas, a ver barras de vida e minimapas deslocados em relação ao que os designers desenharam. No computador é ainda mais evidente: barras de tarefas cortadas, janelas que nunca se alinham bem, margens que desaparecem. É o equivalente televisivo a comprar um monitor de 27 polegadas e só usar 25.
A boa notícia é que desligar isto costuma ser simples. O MakeUseOf nota que a opção raramente se chama “overscan” de forma clara. Cada marca inventa o seu eufemismo: “Just Scan”, “Screen Fit”, “Tamanho da Imagem”, “1:1 Pixel Mapping”, modos de “PC” ou “Jogo” que, na prática, fazem a mesma coisa, mostrar todos os pixéis. O truque é ir às definições de imagem por entrada HDMI e procurar qualquer opção que soe a “ajustar para caber” ou a “sem overscan”. Em muitos modelos tens de repetir o processo em cada porta ou para cada tipo de sinal. É o lado chato, mas faz parte da dança moderna de menus pouco claros, da mesma família do ajuste de largura de banda HDMI escondido que pode estrangular portas sem necessidade.
Para quem usa a TV como monitor gigante, seja num Mac, seja num PC, vale a pena perder estes minutos. A diferença entre uma imagem recortada e um mapeamento 1:1 é tão óbvia como a de activar o refrescamento certo num monitor gaming, tema que já abordámos em detalhe em como garantir que o teu monitor de 240Hz está mesmo a 240Hz. Num caso e no outro, a tecnologia está lá, paga e instalada, mas vem castrada por omissão. A indústria habituou-se a esconder soluções em submenus com nomes crípticos, e o overscan é mais um fantasma analógico que se aguenta à custa da inércia.
No fim, a moral é simples: se a imagem parece estranha, não assumas que é do cabo ou da consola. Vai aos menus da TV, desliga tudo o que soe a “ajustar”, “ampliar” ou “cabrar para caber” e exige ver cada pixel. Se em 2026 ainda há televisores a emular limitações da era CRT, o mínimo é não pactuar com elas.
Fonte: MakeUseOf
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