Nothing Ear (3a): estilo transparente a preço simpático
Os novos earbuds baratos da Nothing apostam em design, bom som e uma função de gravação de chamadas pouco comum. Faltam-lhes só uns toques de maturidade no cancelamento de ruído.
Os novos earbuds baratos da Nothing apostam em design, bom som e uma função de gravação de chamadas pouco comum. Faltam-lhes só uns toques de maturidade no cancelamento de ruído.
Entre os mais de 2.000 auscultadores sem fios que enchem a Amazon, a maior parte parece saída da mesma fábrica cinzenta. A Nothing continua a recusar esse molde. Os novos Ear (3a) mantêm o acrílico transparente, as cores berrantes e a caixa compacta, e isso basta para se destacarem logo na prateleira da FNAC imaginária na tua cabeça.
Este é já o oitavo par de earbuds da marca e, por fora, parecem uma evolução discreta do Ear (a). Por dentro há mudanças relevantes: um novo estojo, drivers de 12 mm maiores e, sobretudo, uma função de gravação de chamadas que quase nenhum concorrente nesta gama toca. O preço lá fora fica nos 99$ (cerca de 90€), portanto é razoável assumir algo na casa dos 100€ quando chegarem a Portugal, posição delicada num mercado onde promoções atiram os Galaxy Buds FE e afins para patamares parecidos.
O design continua a ser a arma principal. Transparência, peças internas à vista, e agora um rosa bem chamativo a juntar-se ao amarelo, preto e branco. Ao contrário de muito plástico barato, aqui tudo parece sólido, sem folgas estranhas na dobradiça da caixa nem brilhos “toy”. O formato é claramente inspirado nos AirPods, o que na prática significa encaixe confortável para a maioria das orelhas e uma estabilidade suficiente para o autocarro ou o ginásio ligeiro. Não tens o ar executivo dos Sony topo de gama, mas esse nunca foi o público da Nothing.
Na parte sonora, o veredicto é simples: som polido, com graves presentes e um perfil fácil de gostar. Não são monitores de estúdio, são earbuds para Spotify, YouTube e chamadas longas. A app da Nothing, que já se tinha destacado noutros modelos da marca, volta a ser um dos trunfos: interface clara, equalizador útil, controlo de gestos bem pensado. É o tipo de app que não desinstalas passado dois dias, o que diz bastante numa categoria onde muitas aplicações de áudio são um peso morto no telemóvel.
O cancelamento de ruído ativo é o ponto mais fraco. Funciona, reduz o barulho do metro e do escritório aberto, mas fica claramente abaixo do que oferecem Sony, Bose ou os próprios AirPods Pro 3 da Apple, ainda que a outro preço. Pior é o chamado Spatial Audio estático, que aqui roça o gimmick: a sensação de palco virtual é artificial, pouco convincente e rapidamente esqueces que existe. Se queres áudio espacial sério, olhas para outra liga ou para soluções mais integradas no ecossistema do telemóvel, como os futuros Pixel Buds Pro 2 de que já falámos quando surgiram em leak na Amazon em verde escuro.
A funcionalidade nova que importa mesmo é a gravação de chamadas. Em vez de ficar perdida numa folha de especificações, aqui está bem integrada e mostra rapidamente utilidade: entrevistas, chamadas de trabalho, indicações detalhadas que não queres andar a apontar à pressa. Em muitos países europeus, Portugal incluído, basta o consentimento explícito das duas partes, portanto continua a ser a tua responsabilidade avisar quem está do outro lado. Mas como ferramenta, é rara nesta gama de preço e deixa os Ear (3a) com uma proposta concreta num mar de clones.
No fim, os Nothing Ear (3a) são aquilo que a marca tem prometido desde o início: gadgets com personalidade, a meio caminho entre o acessível e o aspiracional. O som é bom para o preço, o design continua a ser dos mais interessantes no bolso das calças e a app é das poucas que merecem lugar no teu ecrã. Se o ANC estivesse dois níveis acima e o áudio espacial não fosse um extra dispensável, podíamos falar de referência absoluta na faixa dos 100€. Assim, ficam como a opção divertida e competente para quem quer fugir ao preto genérico sem rebentar o orçamento.
Fonte: Wired
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