NotebookLM ganha Gemini 3.5
A app de notas com IA da Google passa a pesquisar na web por ti e a correr código na cloud por "caderno". Bom para investigadores, potencialmente péssimo para privacidade.
A app de notas com IA da Google passa a pesquisar na web por ti e a correr código na cloud por "caderno". Bom para investigadores, potencialmente péssimo para privacidade.
A Google levou o NotebookLM a outro patamar: a app de notas com IA passou a usar o modelo Gemini 3.5 e cada caderno ganhou um “computador na nuvem” próprio. O pacote chega primeiro a quem paga o plano AI Ultra e a clientes Workspace, ou seja, isto já não é um brinquedo de laboratório, é produto para quem a Google acha que tem trabalho sério a fazer.
O conceito mantém-se: carregas notas, PDFs ou vídeos e conversas com a IA sobre esse material. A mudança está no ponto de partida. Em vez de teres de importar ficheiros ou links de YouTube, podes agora lançar logo um tema em chat e o NotebookLM vai usar a Pesquisa Google para descobrir fontes relevantes. A funcionalidade expande o modo “discover”, que já sugeria recursos, e transforma a app numa espécie de estagiário de pesquisa que começa sozinho a vasculhar a web.
Há aqui duas leituras. Para quem faz trabalhos académicos, relatórios ou artigos, isto é ouro: o fluxo passa a ser perguntar, afinar o ângulo, deixar o sistema trazer artigos, estudos e páginas, e só depois escolher o que entra no caderno. A Google sublinha que és tu que decides que fontes sugeridas são importadas, o que é simpático, mas também revela o lado menos romântico: estás a entregar o teu mapa mental de pesquisa à empresa que já domina a própria pesquisa na internet.
O segundo salto está no tal “computador seguro na nuvem” ligado a cada caderno, assente na plataforma de código agentic Antigravity. Traduzido: o NotebookLM pode escrever e executar código por ti para ajudar na investigação. Queres gráficos, limpeza de dados, pequenas simulações ou transformar um amontoado de notas num relatório mais composto, o sistema gera e corre o código e devolve o resultado pronto. Isto começa a aproximar-se de um assistente técnico, não só de um resumidor de texto.
Essa capacidade nota-se também nos formatos de saída. O NotebookLM consegue agora cuspir PDFs, visualizações de dados em PNG ou SVG, folhas CSV, ficheiros de Excel e PowerPoint, e até imagens geradas pela Nano Banana, o motor de imagem da própria Google, em PNG, JPG ou GIF. Para muita gente isto significa que o trabalho final já sai, quase, no molde que o chefe ou o professor pede. A linha entre “fazer” e “supervisionar o que a IA fez” continua a ficar mais difusa.
Para já, a Google amarra estas novidades ao topo da sua oferta paga, um sinal claro de que vê o NotebookLM como ferramenta de produtividade para empresas e profissionais, e não como curiosidade aberta a todos. Para quem trabalha a partir de Portugal, o interesse depende menos da língua e mais da confiança que tiveres em pôr notas sensíveis, linhas de código e fontes de investigação num produto que vive na infraestrutura de quem já sabe demasiado sobre ti. Em troca, ganhas tempo e um ajudante que nunca se cansa de abrir PDFs. O preço real não está na tabela, está em quanta autonomia estás disposto a ceder.
Fonte: The Verge
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