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Na Meta Connect, os óculos inteligentes dominaram tudo

Meta encheu a conferência de óculos ligados à IA, dos modelos sem câmara às armações que funcionam como aparelho auditivo. A estratégia é clara: pôr um agente digital na cara de quem aceitar usá-lo.

Na Meta Connect, os óculos inteligentes dominaram tudo
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Na edição deste ano da Meta Connect, não foram os headsets de realidade mista nem os posts do Instagram que chamaram mais a atenção, foram os óculos. Segundo o TechCrunch, a conferência parecia mais um desfile de armações ligadas à IA do que um palco tradicional de keynotes. Funcionários da Meta e influencers apareceram de óculos inteligentes e grande parte das demos passava por pôr algo na cara dos participantes.

Entre esses produtos, destacam‑se os novos óculos de áudio, ainda por lançar, sem qualquer câmara à vista. São óculos inteligentes focados em som: seis microfones, zero lentes a gravar. Não há forma nativa de registar o que te rodeia, o que responde diretamente às críticas recentes aos chamados “pervert glasses”, a etiqueta pouco simpática que alguns críticos colaram às gerações anteriores com câmara embutida. Quem os experimentou para o TechCrunch nota duas coisas pouco glamorosas mas importantes: são bastante mais leves do que outros smart glasses e são confortáveis o suficiente para ficar com eles o dia todo.

Do lado funcional, a Meta vende estes óculos como ferramenta de entretenimento e comunicação. Música sempre disponível sem enfiar auscultadores nos ouvidos, chamadas sem tirar o telemóvel do bolso, som discreto para quem está a usar. O truque, claro, não é só o áudio. Os óculos ligam‑se ao Muse, o sistema de agente pessoal da Meta que executa tarefas por ti. A integração ainda não está pública, mas quem testou pôde falar com o agente diretamente através dos óculos, dar comandos por voz e ver o assistente tratar de emails, listas de tarefas ou perguntas genéricas, num registo de ChatGPT portátil. A parte menos mágica: é preciso falar de forma muito direta, sem conversas paralelas, porque o agente baralha‑se facilmente e começa a responder quando não é chamado.

Mais interessante do que o lado “gadget de bolso” é talvez a outra aposta que o TechCrunch descreve: uns segundos óculos de áudio pensados para pessoas com perda de audição. Antes da demo, a equipa de investigação da Meta pediu ao jornalista que colocasse tampões nos ouvidos, para simular a limitação auditiva. Com os óculos por cima, a voz do interlocutor ganhava volume e clareza. O utilizador pode escolher entre uma amplificação focada, que privilegia a pessoa em frente, e um modo omnidirecional, que apanha o ambiente todo. Não é um uso vistoso da IA, mas é um dos raros casos em que a tecnologia vestível ataca um problema real em vez de inventar uma necessidade.

Há também o preço, que não é detalhe. Um membro da equipa de investigação disse ao TechCrunch que estes óculos estiveram cerca de cinco anos em desenvolvimento e que devem custar à volta de 150$, sensivelmente 140€. Quando muitos aparelhos auditivos chegam facilmente aos $1.600 (cerca de 1.470€), a diferença é grande. Claro que um dispositivo médico e um par de óculos da Meta não jogam na mesma liga em termos de certificação e fiabilidade, mas a pressão sobre o mercado tradicional é óbvia.

Mark Zuckerberg repete há anos que os smart glasses são “o futuro” e a estratégia começa a ganhar forma. Entre os óculos VR mais leves apresentados recentemente, os modelos de IA que parecem óculos normais e estas armações que se aproximam de um aparelho auditivo, como já detalhámos quando a Meta mostrou óculos de IA mais discretos em palco em setembro, a empresa tenta ocupar todos os nichos de cara e ouvidos. Falta perceber se o público fora das conferências quer mesmo viver com hardware da Meta pendurado na cara o dia inteiro. Porque a tecnologia pode estar a amadurecer, mas a confiança na empresa continua bem mais atrás do que as demos sugerem.

Fonte: TechCrunch

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