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Muse Charm da Meta parece um ensaio para um futuro smartwatch

O pendente com IA apresentado por Zuckerberg pode ser menos um Tamagotchi digital e mais o primeiro esboço de um relógio inteligente da Meta. O chip, o formato e a estratégia apontam todos para o pulso.

Muse Charm da Meta parece um ensaio para um futuro smartwatch
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Quando Mark Zuckerberg subiu ao palco da Meta Connect em setembro e tirou do bolso um pequeno pendente com ecrã, a atenção foi para o lado fofinho: um “Tamagotchi de IA” chamado Muse Charm. Mas, visto com calma, o gadget parece menos um brinquedo e mais um protótipo disfarçado de smartwatch.

Segundo o CNET, o Muse Charm chega já em dezembro e traz o agente Muse AI, a nova aposta da Meta em assistentes generativos espalhados por telemóveis, desktop, óculos e, futuramente, realidade virtual. O formato oficial é de porta-chaves ou pendente, mas visualmente lembra um Apple Watch sem correia. E a pergunta instala-se: quanto tempo até isto ganhar uma bracelete e um sistema operativo de relógio a sério?

O silêncio da Meta no segmento dos relógios é estranho. Na mesma conferência houve óculos inteligentes para todos os gostos e até um novo headset de realidade virtual em formato de óculos, previsto para o próximo ano, mas nada de smartwatch dedicado. Isto depois de anos de rumores sobre um relógio próprio e de a empresa já ter um wearable de pulso: a banda neural que acompanha alguns óculos Ray-Ban da marca. Essa banda usa eletromiografia para ler sinais elétricos nos músculos do pulso e convertê-los em gestos, uma abordagem ambiciosa que a própria Meta já mostrou em protótipos para tabliers de carro. Este ano não teve direito a novo hardware, o que torna o foco no Charm ainda mais suspeito.

Há ainda um detalhe difícil de ignorar: o Muse Charm é alimentado pelo Snapdragon Wear Elite, o chipset da Qualcomm pensado exatamente para relógios e outros wearables com IA. É o mesmo tipo de base que já encontramos em smartwatches recentes da Samsung. O próprio fabricante do chip fala de relógios, pendentes e óculos como variantes do mesmo conceito. Em termos técnicos, basta mudar a forma, acrescentar uma correia e correr um sistema orientado a notificações, saúde e voz. Do lado do hardware, a Meta já está, no fundo, a usar peças de relógio num pendente com outro nome.

Na estratégia também se nota a deriva para o pulso. A Meta empurra o agente Muse para todo o lado e precisa de um dispositivo sempre ligado e sempre consigo que não seja um par de óculos na cara. Um relógio com IA permanente faz mais sentido do que um porta-chaves que passa metade do dia no bolso ou na mala. Enquanto a Apple parece preparar o próximo grande salto no Apple Watch, como já se discutiu no artigo sobre o Series 12, a Meta tenta chegar à mesma meta pelo lado da IA e de interfaces mais experimentais como a banda neural.

A questão é se alguém quer mesmo um Tamagotchi de IA pendurado ao pescoço em 2026, ou se o público está só a ver um ensaio de design para um smartwatch que ainda não pode ser anunciado. Entre o chip de relógio, a obsessão com agentes de IA e o histórico de testes em bandas neurais, o mais provável é o Muse Charm ser uma peça intermédia de um puzzle que desemboca num relógio Meta daqui a um, dois anos. Se for esse o plano, o pendente é menos produto final e mais rascunho em 3D do que a empresa gostaria de pôr no nosso pulso a seguir.

Fonte: CNET

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