WEARABLES

Ray-Ban Meta Gen 3 vs Gen 2: vale mesmo a pena o upgrade?

Meta afinou bateria, microfones e estilos nos Ray-Ban Meta Gen 3, mas quase tudo o que interessa em IA e software também chega aos Gen 2. A diferença está mais na vitrina do que nas funcionalidades.

Ray-Ban Meta Gen 3 vs Gen 2: vale mesmo a pena o upgrade?
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Os novos Ray-Ban Meta Gen 3 chegam como vitrina da visão de óculos de IA da Meta, mas à lupa parecem mais um ajuste de meio de ciclo do que uma nova geração. Como descreve o Engadget, há melhorias reais: mais bateria, mais microfones, novos formatos de armação. O problema é que muito do que faz estes óculos “inteligentes” vive no software, e aí a Meta decidiu não abandonar quem comprou os Gen 2.

Comecemos pelo lado mais tangível. Os Ray-Ban Meta Gen 3 aguentam agora até 9 horas de utilização por carga, mais uma hora que os Gen 2, e o estojo sobe para 50 horas no total, contra 48 horas antes. É uma diferença simpática, mas longe de transformar o uso diário. Ainda mais quando a própria Meta já fala em 12 horas de bateria para os Ray-Ban Meta Audio, a versão sem câmara. Ou seja, a fasquia interna está a subir mais depressa do que estes incrementos sugerem.

O outro ponto forte de hardware são os microfones. A matriz de seis microfones dos Gen 3, mais um do que nos Gen 2, foi redesenhada para reduzir melhor o ruído de fundo em chamadas e interações com a IA. A Meta promete melhorias na voz e até suporte para ouvir e gravar áudio espacial Dolby Atmos ainda em 2026. É um upgrade interessante para quem leva a sério chamadas em movimento e clips de vídeo, mas continua a ser evolução incremental, não mudança de jogo.

Onde há um salto mais claro é no “botão de ação” herdado dos Ray-Ban Meta Optics e dos Meta Glasses. Nos Gen 3 esse botão tanto chama a Meta AI, como serve de disparo de câmara ou atalho configurável para outras funções. Nos Gen 2, o botão físico continua preso ao disparo da câmara, o que limita bastante a utilidade num par de óculos que se vendem como interface permanente com a IA. Aqui, a Meta mostra bem onde quer empurrar o uso diário.

Estes são, no fim, óculos Ray-Ban. A forma conta tanto como o chip. Segundo o Engadget, os Gen 3 ganham dois novos estilos: Aviator, com lentes à Ray-Ban clássica e armações espessas em cores translúcidas e padrão tartaruga, e Zena, uma espécie de cat-eye discreto, também em várias cores. O Wayfarer clássico é o único formato que transita diretamente dos Gen 2. As medidas mudam milimetricamente, com a versão Gen 3 Wayfarer a encolher de 131 mm para 129 mm de charneira a charneira e braços a perder 1 mm em comprimento, embora suba ligeiramente em peso, de 51 g para 51,5 g. Nada que vá decidir uma compra, mas indica que a Meta está a tentar aproximar-se das proporções de uns óculos “normais”.

O verdadeiro nó está no software. As funcionalidades de IA e de acessibilidade que a Meta apresentou com os Gen 3 vão, quase todas, cair também nos Gen 2: melhoria de audição com certificação da autoridade de saúde dos EUA, o agente Muse AI e o novo modo de captura dinâmica de fotos, que dispara várias imagens para escolher depois a moldura certa. Tudo isto se soma ao que já vimos em lançamentos recentes como os óculos de IA sem câmara e o dispositivo Muse Charm, que a Meta está a usar para testar formas menos intrusivas de vestir a IA. Quando a maior parte do ganho chega por atualização, pagar mais $70 pelos Gen 3, que começam nos $449 (cerca de ~410€, sem preço europeu anunciado), fica difícil de justificar para quem já tem Gen 2.

A fotografia geral é simples: quem entra agora no universo de óculos de IA da Meta deve olhar para os Gen 3 como porta de entrada natural, sobretudo se valoriza melhor áudio, o botão de ação e estilos novos. Mas para quem já tem Gen 2, a combinação de melhorias discretas de hardware, software partilhado e aumento de preço grita “espera mais um ciclo”. Até porque a pressão regulatória sobre óculos com câmara, como se viu recentemente com processos em França, está a crescer. E convém ter a certeza de que os próximos 400 e tal euros não ficam presos a um formato que os legisladores ainda não decidiram se querem mesmo deixar sair à rua.

Fonte: Engadget

Comentários · 0